sexta-feira, 15 de julho de 2011

Acupuntura na Medicina Veterinária

   A acupuntura é uma técnica de tratamento da Medicina Tradicional Chinesa considerada milenar (já existe há 4000 anos) , que consiste na introdução através da pele, de finas agulhas de aço inoxidável, próprias para a técnica (Fig.1). Sua finalidade é restaurar e manter a saúde, gerando um balanceamento energético através do estímulo de pontos específicos relacionados a cada órgão do corpo (Fig.2), e assim atuar como método complementar no tratamento de diversas patologias.
    
  Por tratar-se de uma terapia milenar, e sem dúvida eficaz, a acupuntura é amplamente utilizada na medicina humana e representa , também , uma excelente opção de tratamento de diversas patologias em medicina veterinária.
    
  A técnica visa a criação de estímulos em pontos reflexos que tenham a propriedade de restabelecer o equilíbrio, alcançando assim, resultados terapêuticos.Age sobre o sistema nervoso autônomo e sistema endócrino e seu efeito pode ser imunoestimulante, imunossupressivo , analgésico e antiinflamatório.Cada ponto tem função definida e específica , baseado na resposta do organismo.

    Durante a sessão, as agulhas são inseridas em pontos pré-selecionados que são localizados de acordo com a descrição anatômico-topográfica dos pontos, devendo permanecer neles por 10 a 15 minutos.Não promove dor ou reações adversas e pode ser realizado em animais de qualquer idade, sexo ou raça.O número e o intervalo entre sessões, geralmente é determinado de acordo com o tipo de patologia e sua gravidade, e da resposta do paciente ao tratamento. 

    No tratamento da dor crônica , são excelentes os resultados da acupuntura , apresentando, entre outras vantagens, a ausência de efeitos colaterais. Destacam-se além dos efeitos analgésicos, relaxamento muscular, anti-inflamatório, sedativo ou hipnótico, antiemético, ansiolítico, antidepressivo leve, imunoestimulante e regenerador tecidual.

  As patologias mais comumente tratadas com acupuntura são as músculo-esqueléticas (artrites, artroses, espondilose) , neurológicas (epilepsias , sequelas de cinomose , acidente vascular cerebral , doenças do disco intervertebral e paraplegia - Fig.3) e dermatológicas (alergias e doenças autoimunes).Há também , grande aplicabilidade do método nos distúrbios gastrointestinais , circulatórios , reprodutivos , hepáticos , urinários e comportamentais.



Fig 1 ( Agulha de acupuntura )
                         
Fig 2 (Pontos de acupuntura)



Fig 3 : Sessão em cão Labrador com discopatia


                  

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Toxoplasmose


A Toxoplasmose é uma doença causada pelo protozoário Toxoplasma gondii(T. gondii) e possui como via de transmissão o contato ou ingestão de carne mal-cozida , a ingestão de oocistos (forma infectante do protozoário) em  fezes de gatos infectados e a transmisão transplacentária (gestante para o feto) .


Médicos e até mesmo veterinários, quando solicitados a informar sobre tal doença, ainda fazem recomendações quanto aos animais de estimação, baseadas em preconceito e desinformação, e abrir mão de sua companhia não garante proteção contra toxoplasmose.


A carne utilizada para consumo humano pode conter cistos e servir como fonte de infecção pelo T. gondii. Diferentes inquéritos revelam que mais de 25% dos carneiros e dos suínos apresentam-se infectados. Na carne bovina o isolamento de cistos é mais raro, embora haja relato de  2% a 10% de soropositividade nestes animais.


Gatos domésticos e outros felídeos são os únicos hospedeiros definitivos do T. gondii. São eles os responsáveis, dentro do ciclo biológico da doença (fig 1), pela produção e eliminação dos oocistos levando à perpetuação da doença. Eles ingerem os cistos que estão presentes nos tecidos de outros animais, como ratos e pássaros, e passam a eliminar em suas fezes os oocistos, que no ambiente se transformam em esporos através de um processo denominado esporulação, se tornando infectantes. O processo de esporulação dos oocistos nas fezes de gatos ocorre 48 horas após sua liberação.


Os cães assim como os outros mamíferos citados , exceto os felinos , somente irão transmitir a toxoplasmose através da ingestão de sua carne crua ou mau cozida. Sendo assim esta espécie só representa importância epidemiológica em países cuja ingestão de carne canina faz parte da cultura alimentar dos mesmos.

Mais da metade da população, mesmo em países desenvolvidos, apresentam anticorpos específicos contra  T. gondii , sem que haja qualquer manifestação da doença. Entretanto alguns segmentos da população, como portadores de distúrbios  imunossupressores (HIV como exemplo) e mulheres gestantes,  devem ser considerados  como de maior risco de contaminação.

Alguns cuidados pessoais com a alimentação  são imprescindíveis para a prevenção da toxoplasmose, como evitar a ingestão de carne crua ou mau passada  e realizar  higiene adequada de frutas , legumes e verduras, já que estes alimentos podem estar contaminados.


Proprietários de felinos domésticos, devem restringir seu espaço impedindo o acesso a ambientes externos e utilizar produtos industrializados como fonte de alimentação, evitando assim hábitos selvagens como a caça de roedores ou pássaros.

Realizar limpeza diária das caixas sanitárias, previne consideravelmente o contágio, já que a esporulação dos oocistos ocorre, conforme dito anteriormente , 2 dias após sua liberação junto às fezes contaminadas. Aquelas pessoas consideradas como de maior risco de contaminação, como as gestantes devem fazer a higiene das caixas usando luvas e até máscara, já que pode ocorrer inalação dos oocistos.


                                                                                                    Fig 1



                                               


Notícias relacionadas: http://pe360graus.globo.com/noticias/brasil/saude/2011/04/12/NWS,531770,3,264,NOTICIAS,766-MAIS-METADE-POPULACAO-TOXOPLASMOSE-ALERTAM-ESPECIALISTAS.aspx