terça-feira, 15 de maio de 2012

Traqueobronquite infecciosa canina

Traqueobronquite infecciosa canina é uma doença caracterizada por infecção respiratória aguda e altamente contagiosa, acompanhada de tosse. Por seu alto índice de contágio possui prevalência elevada em ambientes com vários cães juntos , como canis , hotéis , lojas e clínicas veterinárias , sendo popularmente conhecida por Tosse dos Canis. 

Em épocas do ano cuja temperatura e umidade relativa do ar sofrem declínio tornando o clima frio e seco ocorre uma grande demanda de atendimento veterinário em decorrência das doenças respiratórias de um modo geral, assim como em medicina humana, sendo a Traqueobronquite infecciosa canina, considerada uma doença sazonal frequente nos meses frios, a mais comum. Isto se deve ao ar quente que se desloca para as camadas mais altas da atmosfera provocando um resfriamento da superfície pelo ar frio aonde se concentram uma maior quantidade de partículas virais e bacterianas , além dos poluentes.

É determinado que diversos microrganismos estão envolvidos na etiologia da tosse dos canis. Entretanto os agentes mais comuns, geralmente associados , são o adenovírus canino tipo 2 (CAV2) , o vírus da parainfluenza canina (CPV) e a bactéria Bordetella bronchiseptica. Estes são rapidamente disseminados de um cão para outro por via aerógena (através do ar) , contato direto ou fômites (objeto inanimado capaz de transmitir agentes infeccioso de um indivíduo a outro) , colonizando e lesionando o epitélio das vias aéreas e gerando processo inflamatório local. O período de incubação da doença poder variar entre 3 a 10 dias e seu curso pode se estender em até 14 dias.

Indivíduos acometidos são apresentados com surgimento agudo de uma tosse que pode ser produtiva ou improdutiva, que varia de intensidade e é  freqüentemente acompanhada de engasgo , ânsia de vômito e em alguns casos secreção nasal. O paciente em geral apresenta bom estado geral, mantendo apetite, boa disposição e sem manifestação de febre, porém complicações da infecção normalmente associadas à broncopneumonia podem tornar a doença de prognóstico pior levando-o , inclusive ao óbito, se não precoce e adequadamente tratado. O diagnóstico da Traqueobronquite canina é baseado na história clínica , nos sinais clínicos e na resposta do paciente ao tratamento, entretanto nem sempre é obtido de forma definitiva, o que haverá maior importância nos casos de complicação da doença.


A prevenção da "Tosse dos canis" é conseguida , basicamente evitando a exposição do animal aos agentes. Porém, devido à necessidade , praticamente inevitável da utilização de serviços veterinários em clínicas , salões de banho e tosa e hotéis, este meio de prevenção é inviável. Sendo assim a profilaxia através da realização e atualização de vacinas, cujo mercado disponibiliza produtos de excelente relação entre custo e benefício, se torna o melhor método de prevenção. Isto se deve ao avanço tecnológico na produção das mesmas, aliado ao custo bastante acessível ao consumidor de um modo geral, tornando tal patologia de fácil controle.

Artigo recomendado: 
http://200.136.76.129/comunicacao/publicacoes/ics/edicoes/2004/04_out_dez/V22_N4_2004_p279-286.pdf


Vários cães,de diversas procedências, juntos em canil


terça-feira, 1 de maio de 2012

Pancreatite

Pancreatite é definida como inflamação do pâncreas causada pela ativação das enzimas digestivas de origem pancreática agindo no próprio órgão. A ação destas enzimas eleva sua permeabilidade vascular, causando lesão direta do pâncreas , além de desencadear outras alterações indiretas que irão acentuar tal processo.

O pâncreas é um órgão do sistema digestivo e endócrino que possui um formato em V , localizado transversalmente sobre a parede posterior do abdômen, intimamente associado ao estômago, fígado e duodeno. Sua atuação na função digestiva é realizada por sua porção exócrina, responsável pela produção e secreção de enzimas utilizadas no processo de digestão dentro do intestino. O tecido exócrino juntamente aos vasos e nervos associados, representa cerca de 98% da massa pancreática total. Como órgão do sistema endócrino o pâncreas funciona como glândula secretora dos hormônios Insulina e Glucagon, através de sua porção endócrina, estando diretamente relacionado ao controle dos níveis sanguíneos de glicose, e representando 2% da massa total do órgão.


As patologias do pâncreas são divididas de acordo com a porção afetada. Sendo assim quando há comprometimento da porção exócrina, a doença é denominada afecção pancreática exócrina. Entre elas estão a pancreatite , a insuficiência pancreática exócrina e a neoplasia pancreática exócrina. Quando a porção afetada é a endócrina, recebe a denominação de afecção pancreática endócrina, sendo o diabetes melito a mais comum , além das neoplasias do pâncreas endócrino.

Acredita-se que a pancreatite possua várias causas primárias, sendo todas capazes de ativar as enzimas digestivas pancreáticas a agir contra o próprio pâncreas. Entretanto em muitos casos não é possível estabelecer diagnóstico sendo diversas vezes considerada de origem idiopática (sem causa definida). Alguns fatores são considerados como etiológicos ou predisponentes, como obesidade , consumo de dietas ricas em gordura,   hiperadrenocorticismo , hipotiroidismo , alguns medicamentos, trauma , infecção ascendente por bactérias intestinais, por manipulação cirúrgica e diabetes (aproximadamente 60% de seres humanos diabéticos possuem a função pancreática diminuída, além do que , conforme revelam estudos recentes, a diabetes pode ser secundária à insuficiência pancreática exócrina). É  provável o envolvimento de mais de um fator e  ocorre tipicamente em animais de meia idade a idosos, não havendo predileção sexual com a maioria dos indivíduos acometidos sendo obesos.


Com relação à apresentação clínica da pancreatite, é adotada a classificação de doença aguda ou crônica. Quando de curso agudo a doença tem início rápido podendo recidivar. Esta normalmente é autolimitante e de bom prognóstico, denominada pancreatite leve, entretanto pode se manifestar de forma intensa, progressiva e com danos mais sérios ao organismo do indivíduo acometido, sendo , assim , a chamada pancreatite grave ou intensa, de prognóstico desfavorável. Da mesma forma , quanto à intensidade da doença (leve ou intensa), a pancreatite pode ter curso crônico, e ser contínua e latente ou recorrente e episódica, podendo causar diversas complicações no paciente portador da forma intensa, em função de uma insuficiência pancreática. Importante salientar que a pancreatite aguda não é causa de pancreatite crônica .


Os sintomas mais comumente observados na pancreatite aguda são  dor abdominal, prostração , perda de apetite , vômito e, em alguns casos, diarréia, além dos sintomas resultantes de complicação sistêmica em decorrência do processo inflamatório do pâncreas. Quando a pancreatite se agrava,  a evolução negativa do quadro geral leva ao choque e colapso. No caso da pancreatite crônica os sintomas são variáveis e inespecíficos, variando em gravidade de acordo com sua intensidade.


Portadores da apresentação intensa da pancreatite são considerados, em sua grande maioria pacientes críticos, devido à sua alta mortalidade. O pâncreas afetado libera rapidamente substâncias como a bradicinina , com ação vasodilatadora, que reduz o fluxo sanguíneo pancreático acelerando o processo inflamatório do órgão e gerando queda súbita e grave da pressão arterial. Os produtos liberados durante o processo inflamatório do pâncreas, sofrerão absorção sistêmica, culminando com falência múltipla de órgãos , colapso e choque nos quadros mais avançados da doença , sendo a sepse (septicemia) e a insuficiência respiratória as causas mais comuns de óbito nestes pacientes.


O diagnóstico da pancreatite é baseado na história e sinais clínicos , através de imagem de acordo com a disponibilidade do aparelho, sendo mais comum o diagnóstico por alterações radiográficas e ultrassonográficas, além das diversas alterações laboratoriais detectáveis. Quando diagnosticada, deve ser tratada o mais breve possível para que não ocorra seu agravamento, podendo ser eleito o tratamento clínico e até cirúrgico quando não há rapidez e precisão no diagnóstico. O objetivo principal da terapia do paciente portador de pancreatite consiste em eliminar a causa primária, reduzir a secreção pancreática, aliviar a dor, corrigir todos as complicações sistêmicas existentes e submeter monitoramento por meio de terapia intensiva.


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