domingo, 15 de abril de 2012

Tosse

Tosse é o esforço expiratório que produz expulsão súbita e ruidosa do ar dos pulmões , comumente em uma tentativa de libera-los de algum conteúdo estranho. O reflexo da tosse é o resultado da irritação mecânica ou química da faringe, laringe, árvore traqueobrônquica, e algumas das vias respiratórias menos calibrosas.

Tal manifestação, enquanto síndrome, é particularmente irritante para o paciente e para seu proprietário, e pode ser tão perturbadora a ponto de exaurir o indivíduo acometido. Entretanto a maior preocupação com relação à sua existência ou persistência trata-se de sua causa , já que  pode representar não só patologias de bom prognóstico, como também doenças graves como tumores ou cardiopatias, além de disseminar microrganismos ou trazer prejuízo ao próprio portador da tosse.

As causas da tosse em pequenos animais podem ser divididas em tosse de origem inflamatória , neoplásica , cardiovascular , alérgica, traumática , por causas físicas e parasitária, sendo esta divisão importante para a determinação da conduta a ser adotada pelo médico veterinário, que deve iniciar seu inquérito investigativo , se informando do horário de maior ocorrência e de seu aspecto.

Quando de origem inflamatória a tosse normalmente é observada durante o dia podendo haver ou não a presença de secreção, o que a classifica como produtiva ou não produtiva. Tal processo pode ocorrer em decorrência de processos inflamatórios existente em todas as estruturas do trato respiratório, podendo ser de curso agudo, como nos quadros infecciosos causados por bactéria, vírus ou fungos ou de curso crônico como na Bronquite crônica ou nos casos de estenose de traquéia.

Tosse de origem neoplásica, como o próprio nome diz, é provocada pela presença de algum processo tumoral , seja ele de comportamento benígno ou malígno, localizado em alguma estrutura do trato respiratório. O tumor pode ser de origem primária ou metastática, sendo esta última comumente observada nos pulmões de pacientes portadores de tumor maligno mamário ou ósseo. Além dos pulmões, os processos neoplásicos do trato respiratório, são  comuns na traquéia, laringe , mediastino e linfonodos em caso de Linfoma. Normalmente a tosse de animais portadores de tal patologia é classificada como não produtiva e  frequentemente observada durante o dia.

Doenças cardíacas, também denominadas cardiomiopatias, têm como um de seus principais sinais clínicos, a tosse, que inicialmente é observada em períodos noturnos. Inúmeras vezes, o paciente portador de tal distúrbio tem seu diagnóstico em função do incômodo causado pela tosse, já que é a partir da persistência deste sintoma que o animal é levado à consulta veterinária. Animais acometidos por insuficiência cardíaca congestiva , podem apresentar aumento de tamanho do coração que provoca compressão de estruturas respiratórias adjacentes levando a tosse. Estes possuem retorno venoso comprometido, levando ao aumento do volume sanguíneo em vasos pulmonares e elevando sua pressão. Tal processo leva ao extravasamento de líquido dos vasos, causando seu acúmulo nos pulmões acarretando edema pulmonar, de prognóstico bastante reservado, mas que em processos iniciais,  é sinalizado com a presença de tosse de aspecto produtivo, melhorando o prognóstico.

Causas alérgicas, também podem ser representadas como fatores causadores de tosse, e devido á liberação de substâncias eliminadas nestes processos, como mecanismo fisiológico de defesa do organismo, ocorre irritação das estruturas em contato com determinado alérgeno. Ocorre normalmente durante o dia e possui característica produtiva. 

Traumas localizados no pescoço, principalmente por uso inadequado de coleiras enforcadoras, ou até em situações mais graves como a presença de corpos estranhos, bastante comuns nas ingestões de objetos ou nas perfurações esofágicas por ingestão de osso de frango, caracterizam a tosse como de origem traumática, sendo a mesma de característica produtiva.

Dentre os fatores físicos causadores de tosse pode-se destacar como bastante comum, a exposição a gases nocivos e à fumaça de cigarro. Há maior probabilidade de animais residentes em ambientes urbanos sofrerem de moléstia respiratória crônica, em decorrência da maior concentração de poluentes ambientais. No caso de contato com fumaça, principalmente  de cigarro e especialmente indivíduos considerados fumantes passivos, cujo proprietário é tabagista, ocorre irritação da mucosa pulmonar estimulando o sintoma da tosse. Neste caso, assim como no contato com poluentes , a ocorrência de doença crônica respiratória é bastante comum. A tosse neste caso geralmente é produtiva.


Por último, dentro da classificação proposta, está a tosse de origem parasitária. Neste caso o sintoma ocorre pela irritação causada pela presença do parasito nos pulmões, merecendo mais destaque pela maior prevalência a Larva migrans visceral (http://nucleoveterinariobh.blogspot.com.br/2011/12/verminoses-intestinais.html)  e  Dirofilariose (http://nucleoveterinariobh.blogspot.com.br/2011/12/verme-do-coracao.html). Quando de origem parasitária a tosse ocorre normalmente durante o dia e se apresenta produtiva.

Artigos recomendadoshttp://200.136.76.129/comunicacao/publicacoes/ics/edicoes/2004/04_out_dez/V22_N4_2004_p279-286.pdf
http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/semagrarias/article/view/2836/2411
http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs-2.2.4/index.php/veterinary/article/view/13994/14247
http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/331/33134213.pdf







Deslocamento dorsal da traquéia
por aumento
 no tamanho do coração

domingo, 1 de abril de 2012

Fisioterapia na Medicina Veterinária

Fisioterapia é uma área relativamente nova na Medicina Veterinária, e pode ser considerada essencial na  recuperação de cirurgias ortopédicas principalmente. Em seu conceito, define-se fisioterapia como uma ciência aplicada , cujo objetivo é o estudo do movimento em suas formas de expressão e potencialidades, quer nas suas alterações patológicas, quer nas suas repercussões psiquicas e orgânicas, com o objetivo de preservar, manter e restaurar a integridade de um órgão, sistema ou função, promovendo reabilitação , controle da dor e assim melhoria da qualidade de vida.

No caso de sua aplicação na reabilitação de animais, é denominada Fisioterapia Veterinária , e trata-se de uma prática exclusiva do profissional graduado em medicina veterinária, devidamente preparado para tal,  já que somente este é habilitado a avaliar o animal quanto a sua anatomia, biomecânica , fisiologia, e patologia clínica e cirúrgica. Possui diversas indicações, entretanto as mais comumente tratadas pela fisioterapia estão relacionadas aos distúrbios do sistema locomotor. Pacientes portadores de patologias do sistema nervoso, como  AVE (acidente vascular encefálico) ou distúrbios  da medula espinhal também podem ser alvo dos processos de reabilitação assistida pelo fisioterapeuta veterinário.


reabilitação direcionada às condições ortopédicas é uma das mais importantes áreas da fisioterapia em animais domésticos, especialmente os cães. Dentre as diversas indicações, estão a recuperação de fraturas, distúrbios articulares, rupturas de ligamentos e afecções tendíneas. A formulação do protocolo de tratamento depende da identificação dos distúrbios apresentados, destacando que a priorização dos problemas, a opção pelos métodos de tratamento apropriado e sua frequência irão determinar o sucesso da recuperação.


São normalmente utilizadas algumas modalidades fisioterápicas no processo de reabilitação que sofrerá variações de frequência e tempo de acordo com o protocolo adotado pelo fisioterapeuta veterinário. Algumas destas modalidades são mais comumente realizadas na rotina clínica veterinária. São elas a cinesioterapia ,hidroterapia, crioterapia , termoterapia , eletroterapia , laserterapia e ultra-som.


Cinesioterapia é a prática da reabilitação através do movimento. Possui como objetivo o aumento da força muscular , melhoria da deambulação (marcha) equilíbrio e coordenação , aumento da amplitude de movimento (ADM) , prevenção de contraturas e aderências. As técnicas realizadas nesta modalidade são os exercícios por movimento passivo e ativo.


Hidroterapia é a modalidade da fisioterapia que se utiliza de diferentes combinações de exercícios em água, tornando sua utilização principalmente em piscinas, um dos recursos mais utilizados por fisioterapeutas, inclusive veterinários. Tem inúmeras vantagens como a ausência de impacto , a facilidade de sua realização em pacientes caninos devido ao bem-estar que a prática proporciona , melhoria do condicionamento físico  e fortalecimento de vários grupos musculares simultaneamente. 


O termo crioterapia é utilizado para descrever a aplicação de modalidades de frio ,que têm uma variação de temperatura de 0°C a 18,3°C, objetivando auxílio no tratamento das condições ortopédicas de curso agudo principalmente. Atua promovendo queda da temperatura local, diminuindo assim o metabolismo e propiciando diminuição da dor , inflamação e espasmo muscular. Pode ser feita utilizando compressas de gelo , imersão em água gelada ou spray. 


Termoterapia é a terapia que utiliza o calor como  tratamento de patologias de curso subagudo ou crônico, e dentre as modalidades da fisioterapia é a mais antiga que se tem conhecimento na prática da reabilitação física. Seus efeitos incluem aumento da taxa metabólica celular e aumento do fluxo sanguíneo por consequência da vasodilatação, promovendo relaxamento muscular, analgesia , redução da rigidez articular e aumento da extensibilidade de tendões. A terapia pelo calor é obtida por compressas quentes , bolsa térmica, luz incandescente, parafina ou luz infravermelha.


Eletroterapia consiste no uso de correntes elétricas dentro da terapêutica. Os aparelhos de eletroterapia utilizam uma intensidade de corrente muito baixa e seus eletrodos são aplicados diretamente sobre a pele, usando o organismo como condutor. Estimulação elétrica nervosa transcutânea (T.E.N.S.) é uma das   principais correntes elétricas terapêuticas, utilizada em processos álgicos agudos e crônicos , por atuarem nos centros moduladores da dor.  Outro método de eletroterapia  é pelo Estímulo Elétrico Funcional (FES) que promove contração muscular através de corrente elétrica com o objetivo de melhorar o tônus muscular e estimular o fluxo sanguíneo nos músculos. Ambas as técnicas, com grande aplicabilidade na reabilitação física de animais , são realizadas por meio de aparelhagem específica.


A palavra Laser tem origem na abreviação de Light Amplification Stimulated Emission  (Amplificação da luz por emissão estimulada) e consiste de ondas eletromagnéticas emitidas sobre algum tecido com objetivos variados. Na medicina de um modo geral , mais especificamente na fisioterapia veterinária, possui alguns efeitos biológicos aplicáveis ao processo de reabilitação física por auxiliar nos processos de cicatrização , aumentar a circulação sanguínea e linfática , promover analgesia e redução de edema e inflamação dos tecidos acometidos.


Ultra-som é uma modalidade terapêutica de penetração profunda que ao ser transmitida aos tecidos biológicos é capaz de produzir alterações celulares por efeitos mecânicos. A transmissão ocorre pelas vibrações das moléculas do meio através do qual a onda se propaga, e a medida que atravessa o tecido, tem parte da energia absorvida, promovendo aquecimento local. Este efeito atua no alívio da dor , na diminuição da rigidez muscular, na redução dos processos inflamatórios , na regeneração de tecidos e no aumento do fluxo sanguíneo, sendo uma técnica amplamente utilizada na reabilitação física do paciente.



http://www.scielo.br/pdf/cr/v38n4/a51v38n4.pdf


Hidroterapia

    
      Ultra - Som


     
                                    T.E.N.S.


Laserterapia

          
                                        
                           Cinesioterapia                                                                                       Eletroterapia