quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Os cães-guia

O convívio com cães estabelece uma série de benefícios na vida das pessoas em diferentes faixas etárias, classes sociais ou estado de saúde, e dentre estes benefícios devemos destacar a importância do cão-guia na vida de deficientes visuais.

Sua atividade tem se tornado imprescindível na melhoria da qualidade de vida destas pessoas, já que recebem treinamento árduo para auxilia-los durante o seu dia-a-dia. Proporcionam uma melhor desenvoltura na locomoção, prevenindo acidentes em obstáculos pelo chão, como buracos, e aéreos, como galhos, que não são passíveis de identificação por bengalas. Além disso os cães-guia auxiliam na determinação do melhor caminho, na travessia de ruas e na identificação de pontos de referência como escadas, portas, elevadores e cadeiras.

Treinar um cão para ser guia é uma tarefa difícil que demanda tempo, investimento e dedicação. A realidade no Brasil quanto a esta modalidade de trabalho canino , ainda é bem negativa, principalmente se comparada à  de países como Estados Unidos, França e Japão. Estima-se que existam apenas 80 cães para 1,4 milhões de deficientes visuais em todo o país, entretanto a existência de ONGs como o Instituto de Integração Social e Promoção da Cidadania ( http://www.mpdft.gov.br/sicorde/caoguia.htm ) , contribui para a mudança deste panorama desde sua fundação em 2002, com o treinamento de cães para tal função. Outra ONG de destaque é a IRIS (www.iris.org.br), que não realiza o treinamento completo no Brasil, mas tem parceria com uma escola americana, que recebe os usuários brasileiros. Estes por sua vez, têm suas passagens pagas pela ONG e seus parceiros.

O treinamento e a manutenção de um animal custam em média 25 mil reais e o usuário não paga pelo cão. As raças preferidas para a atividade são o Pastor Alemão, o Labrador Retriever e o Golden Retriever, por se destacarem pela inteligência , facilidade de adaptação à diversas situações , fidelidade e docilidade. Os filhotes são selecionados aos dois meses e entregues a voluntários que se propõem a cuida-los até completarem 1 ano de idade. Após este período o cão, que já foi submetido propositadamente a situações que contribuam com sua socialização, é reavaliado com relação ao seu comportamento e seu estado geral de saúde. Se apto é encaminhado para o treinamento com duração de seis a doze meses dividido em estágios. Estas etapas consistem em aprendizado de comandos iniciais, como sentar, deitar e virar a esquerda ou a direita. Em seguida aprendem a lidar com pequenos obstáculos como degraus e pisos irregulares. Posteriormente passam por simulações de situações externas, como desviar de obstáculos maiores e caminhar por calçadas e faixas de pedestre, ainda sem sair do centro de treinamento. Na etapa final são levados às ruas para vivenciarem situações reais.

O usuário do cão-guia também deve ser submetido a treinamento, já que é necessário uma adaptação para uma melhor interação entre ele e o cão. Orientações técnicas de comandos, assim como aprender a reconhecer um movimento diante de um desvio de obstáculo por exemplo, são fundamentais para que o deficiente visual possa fazer uso adequado da atividade de guia de seu cão. Recebem também, orientação veterinária acerca de cuidados com a saúde do animal.

Quando entregue ao usuário, o cão-guia fica em atividade por cerca de oito a dez anos. Após esta idade devem ser afastados do trabalho e na maioria das vezes permanecem com seu dono, com parentes ou amigos. Em diversas ocasiões são convidados a demonstrações em escolas e exposições.

A lei número 11.126, de 27 de junho de 2005 decreta que "a pessoa com deficiência visual usuária de cão-guia tem o direito de ingressar e permanecer com o animal em todos os locais públicos ou privados de uso coletivo". Ainda assim os portadores de deficiência visual com seus cães enfrentam situações de constrangimento, devido à desinformação de grande parcela da população, que deve se inteirar a respeito do assunto, para não apenas, não cometer o ato de preconceito, como também não atrapalhar o trabalho do cão-guia ao se deparar com ele em algum local.

No momento de trabalho estes cães se encontram altamente concentrados, e qualquer desvio de sua atenção por meio de carícias, brincadeiras ou proximidade com  outro animal, expõe seu usuário a acidentes. Importante saber que estes  são dóceis e bem treinados, não oferecendo qualquer risco às pessoas. São extremamente disciplinados quanto às refeições, portanto não lhes deve ser oferecido qualquer tipo de alimento durante seu trabalho. Seu posicionamento é sempre pela esquerda de seu usuário, portanto em caso de necessidade de aproximação, é recomendável que seja feita sempre pelo lado direito. Um sinal de cidadania bastante visto nas ruas, é o acompanhamento de deficientes visuais pelo braço. Este ato deve ser evitado com a presença do cão-guia, salvo  em casos de combinação prévia, quando seu usuário dará um comando para que permaneça temporariamente fora de atividade.

Os cães-guia são adestrados e acostumados a viagens e permanência em locais públicos, normalmente acomodados aos pés de seus donos sem atrapalhar outras pessoas ou o funcionamento de determinado estabelecimento. A conscientização da população em geral quanto a existência desta atividade e de suas normas é fundamental, já que representa muito para a inclusão social de pessoas que convivem com uma situação desfavorável, mas que não lhes retira o direito de uma vida normal. 








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