quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Verminoses intestinais

A prevalência de verminoses intestinais em cães e gatos pode ser considerada elevada, sendo os animais jovens aqueles que apresentam maior susceptibilidade e manifestações clínicas mais severas. A ação espoliativa de helmintos (vermes) , se reflete em perda do apetite , emagrecimento, diarréia , vômito e retardo no crescimento, além da imunossupressão orgânica que contribui para o aparecimento de patologias de natureza infecciosa.

Os animais domésticos desempenham o papel de hospedeiro definitivo para algumas espécies de vermes, podendo causar enfermidades importantes para seres humanos. O contato direto ou indireto de pessoas com cães e gatos aumenta o risco de infestações, especialmente em crianças , se não houver cuidados específicos com a prevenção e o tratamento das verminoses nestes animais.

Dentre os parasitas do trato alimentar de cães e gatos , alguns merecem maior destaque devido à frequência de infestação e importância que desempenham na saúde destas espécies, além de se caracterizarem como zoonose, já que podem estabelecer doença em humanos, representando assim um problema de saúde pública. As classes mais importantes são representadas pelos Nematódeos , Ancilóstomos e Tênias.

Nematódeos são muito comuns em cães ( Toxocara canis e Toxascaris leonina) e em gatos ( Toxocara cati e Toxascaris leonina). A principal forma de transmissão ocorre a partir da ingestão dos ovos diretamente ou pela ingestão de hospedeiros intermediários (roedores por exemplo). O T. canis é também, frequentemente transmitido por via transplacentária da mãe para o feto e o T. cati por via transmamaria durante a lactação de felinos recém nascidos. Estes parasitas, durante a fase adulta, vivem na luz do intestino delgado, e suas larvas podem penetrar pela mucosa intestinal e migrarem para outros tecidos do organismo , como o fígado e pulmões , gerando lesões significativas nestes órgãos. Os sinais clínicos mais comumente observados constituem de diarréia e retardo no crescimento. Grandes infestações podem causar obstrução intestinal, principalmente em filhotes. T. canis e T. cati são responsáveis pela transmissão a seres humanos da Larva migrans visceral. Esta condição é  uma infestação helmíntica bastante comum em pessoas, e ocorre devido à penetração da larva destes nematódeos através da pele, que migra pela circulação até o miocárdio (coração) e o sistema nervoso central. Se houver migração para o globo ocular é denominada Larva migrans ocular.

Ancilóstomos ( Ancylostoma sp e Uncinaria sp) são mais comum em cães do que em gatos, e a infecção ocorre pela ingestão dos ovos ou através da lactação. Vermes adultos vivem na luz do intestino delgado, onde se prendem, se alimentando de mucosa e sangue. Desta forma a sintomatologia mais comum é a presença de sangue nas fezes (melena), além da diarréia, podendo levar a óbito, principalmente hospedeiros jovens, gravemente infectados. Em cães adultos esta helmintose pode predispor ao aparecimento de outras infecções intestinais. Esta classe de helmintos é responsável por outra importante zoonose conhecida popularmente como "bicho geográfico". Larvas de ancilóstomos denominadas Larva migrans cutanea penetram superficialmente a pele humana formando "túneis" de aspecto tortuoso que fazem lembrar um mapa geográfico. Sua penetração provoca uma inflamação local (dermatite) que irá tornar o local avermelhado devido à irritação da pele (eritema). 

Tênias infectam cães e gatos sendo a mais comum o Dipylidium caninum. Sua infecção ocorre pela ingestão de fragmentos denominados proglotes, junto às fezes ou na região perianal. Pode se contaminar , também, ao ingerir pulgas  acidentalmente durante prurido (coceira). Este ectoparasita está presente no ciclo desta classe de helmintos como hospedeiro intermediário infectado. Os sinais clínicos mais comuns em animais parasitados consiste de prurido anal associado a liberação de segmentos móveis do verme (proglotes) que se movem na região do períneo. Pode ocorrer declínio sutil da condição corporal do indivíduo parasitado, e não há relevância quanto à infecção em seres humanos.

Medidas de prevenção e controle das infecções helmínticas devem ser adotadas, sendo fundamental a intervenção do profissional médico veterinário, para que se otimize os resultados, de forma a , não apenas, proteger a saúde e o bem estar de cães e gatos, como também da população humana que convive com estes animais em seu dia a dia. É necessário a introdução de um programa de vermifugação em filhotes a partir de 20 dias de idade, com repetição trimestral, quadrimestral ou semestral, de acordo com a idade e hábitos de vida daquele animal. Vermífugos disponíveis no mercado possuem ação adulticida (elimina vermes adultos) apenas, não atingindo outros estágios dos vermes, como larvas por exemplo. Torna-se então,  necessário a revermifugação entre 15 e 30 dias após a administração da 1ª dose do vermífugo, para que se elimine todos os estágios do parasita existentes no intestino, de acordo com seu ciclo de vida. Medidas de higiene como limpeza frequente de locais utilizados como sanitário de cães e gatos, controle de hospedeiros intermediários (pulgas e roedores) , tratamento a base de anti-helmínticos dos indivíduos parasitados e manejo adequado do modo de vida de animais de estimação, priorizando o uso de rações comerciais e evitando acesso á rua, são também importantes no controle das verminoses.




Toxocara canis


                                             
             Ancylostoma caninum                                                            Larva migrans cutanea



Dipylidium caninum

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