As hemoparasitoses possuem grande relevância na clínica médica veterinária devido à frequência em que ocorrem. São enfermidades de ocorrência mundial causadas por parasitos intracelulares obrigatórios de células sanguíneas , transmitidas biologicamente pela picada de artrópodes hematófagos. As hemoparasitoses acometem animais de várias espécies, tais como cães e gatos, e são responsáveis por manifestações clínicas variáveis que podem levar ao óbito. Em cães, os hemoparasitos mais comuns transmitidos pelos carrapatos, são as bactérias da espécie Erlichia canis e os protozoários da espécie Babesia canis. Em felinos , a hemoparasitose de maior prevalência é causada também por uma bactéria, porém da espécie Haemobartonella felis , transmitida também por carrapatos , mas principalmente por pulgas.
Trata-se de uma doença parasitária com características hemolíticas, transmitida por carrapato. Provoca anemia em decorrência da infecção das hemácias pelo hematozoário denominado Babesia canis. O vetor (carrapato) se infecta ao ingerir as hemácias parasitadas, durante o repasto sanguíneo no cão, transmitindo a doença em sua próxima alimentação, através de sua saliva , sendo necessário um período médio de três dias para que isto ocorra. Um a dois dias após a inoculação do agente , ocorre no hospedeiro canino uma parasitemia inicial com cerca de quatro dias de duração, havendo novo pico dez a quatorze dias depois. A infecção das hemácias provoca destruição das mesmas (hemólise) resultando em anemia. Dentre os sintomas clínicos mais frequentes inclui-se perda de apetite e prostração em decorrência de febre proveniente da liberação de substâncias pirógenas liberadas durante a destruição das hemácias. O quadro anêmico, se avançado , pode culminar com a morte do animal parasitado. O tratamento é bastante eficaz, principalmente nos casos de detecção precoce, antes da ocorrência da chamada babesiose canina complicada relacionada à intensa crise hemolítica ocasionada pelo parasita e da liberação sistêmica de fatores inflamatórios que levam a patologias como a doença renal aguda. Pode ocorrer , também , alterações inespecíficas como convulsões , vômito e diarréia.
O gênero Erlichia compreende bactérias intracitoplasmáticas, transmitidas por carrapatos, que infectam leucócitos e plaquetas do indivíduo parasitado. Várias espécies deste gênero causam infecção em cães, porém a mais comum denomina-se Erlichia canis. Erliquiose é uma doença comum , transmitida por carrapatos que se contaminam ao ingerir leucócitos infectados durante o repasto sanguíneo. Embora considerada uma doença de diagnóstico difícil em virtude de sua inespecificidade e variabilidade dos sinais que apresenta, algumas manifestações clínicas são mais comuns, porém variando de acordo com seu curso. Na fase aguda, que pode durar entre 2 e 4 semanas e ocorre entre 8 e 20 dias após a infecção, observa-se febre, prostração , perda de apetite e emagrecimento, além de alterações hematológicas como a queda de plaquetas (trombocitopenia). Se o animal sobreviver à esta fase, os sinais clínicos podem desaparecer em até 4 semanas, mesmo sem que o animal receba tratamento, porém ele permanece com a infecção na forma subclínica, podendo apresentar ainda assim, alguns sintomas, embora brandos , como pequenas hemorragias , alterações neurológicas, artrite e inflamação dos glomérulos renais (glomerulonefrite). Acredita-se que indivíduos imunocompetentes eliminam a infecção durante esta fase, que pode durar meses ou anos. Entretanto alguns animais não são capazes de eliminar o parasita e desenvolvem a fase crônica da doença. A fase crônica instala-se devido à ineficiência do sistema imune do hospedeiro e os sintomas são os mesmos da fase subclínica, porém de forma exacerbada. Geralmente o animal se apresenta apático, caquético e com infecções secundárias diversas (bacterianas , fúngicas e parasitárias). Glomerulonefrite é um achado comum nesta fase, levando o animal parasitado a desenvolver doença renal, e o agravamento das alterações hematológicas propicia a ocorrência de hemorragias. O tratamento, assim como na babesiose que na grande maioria das vezes aparece concomitantemente à erliquiose, é eficaz , principalmente se diagnosticada precocemente. Cães tratados não adquirem imunidade persistente , sendo susceptíveis a reinfecções.
A hemobartonelose, também denominada anemia infecciosa felina, é causada por uma bactéria da espécie Haemobartonella felis. Trata-se de um microrganismo hemotrópico, já que parasita as hemácias do hospedeiro, causando sua destruição. A doença é caracterizada pelas fases aguda e crônica, e sua transmissão ocorre através da picada de carrapatos e pulgas infectados com o microrganismo, podendo ocorrer também por via placentária, da mãe para o feto, por mordidas ou transfusão de sangue, . Na fase aguda , o indivíduo infectado manifesta anemia , falta de apetite e perda de peso. Nesta fase, principalmente sem que o animal seja tratado, ou quando ocorre anemia grave, o hospedeiro normalmente vem a óbito. Gatos que se recuperam sem tratamento sofrem episódios recidivantes da doença , permanecendo cronicamente infectados durante meses a anos, se não indefinidamente. Na fase crônica o portador é clinicamente normal, mas pode apresentar leve anemia. Alterações do sistema imunológico, como por exemplo FIV e FeLV, podem ocasionar um processo de agudização do quadro crônico, levando ao reaparecimento dos sinais da fase aguda. O prognóstico da hemobartonelose é bom, principalmente se o tratamento for iniciado antes do agravamento do quadro anêmico.
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| Erlichia em célula granulocítica |
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| Forma dupla e piriforme tíbica de B. canis |
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H. felis se apresentando como pontos
arredondados na superfície das hemácias |
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| Carrapato |
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| Pulgas |
excelente o seu comentario . rachel.
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