quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

AVC

Acidente vascular cerebral (AVC), denominado atualmente, com seu conceito ampliado de acidente vascular encefálico (AVE), e popularmente conhecido como derrame cerebral, é caracterizado pelo comprometimento súbito da função neurológica, decorrente de obstrução (isquemia) ou ruptura de vasos sanguíneos cerebrais (hemorragia). É considerado como a apresentação clínica mais comum de doenças cerebrovasculares em que o  paciente pode apresentar de dificuldade de movimentação de um membro locomotor a coma e outros sintomas considerados graves. Por convenção , os sintomas clínicos devem continuar por mais de 24 horas para qualificar o diagnóstico de AVE, que é  frequentemente associado ao dano permanente do encéfalo ou sequela. Se houver resolução dentro deste prazo, o episódio é denominado de ataque isquêmico transitório (AIT).

Antes considerado um diagnóstico incomum, o acidente vascular encefálico (AVE), tem sido cada vez mais identificado em cães e gatos. Este depende da exclusão de outras causas de encefalopatia focal e da identificação de uma doença primária que pode ser responsável por eventos isquêmicos/vasculares. Avaliação clínica detalhada com bastante ênfase para os testes neurológicos, associado a exames laboratoriais, auxiliam na detecção, às vezes precoce, do problema , bem como na determinação do prognóstico, que pode até ser favorável. Exames de imagem em alta definição como tomografia computadorizada e ressonância magnética ,podem revelar lesões focais, porém, nem sempre é possível diferenciar tais lesões das de outras doenças como as neoplasias por exemplo. Outro fator limitante é a dificuldade na realização destes exames, já que ainda são de difícil acesso na medicina veterinária, sendo seu custo o maior entrave, embora já existam alguns centros no Brasil disponibilizando-os.


Assim como em seres humanos, esta patologia em animais pode ser causada por obstrução dos vasos sanguíneos , resultando em isquemia e denominada AVE isquêmico , ou pela ruptura das paredes dos vasos sanguíneos ,resultando em hemorragia cerebral e denominada AVE hemorrágico. 

AVE isquêmico ocorre pela ausência de fluxo sanguíneo cerebral decorrente de obstrução arterial ( trombo) ou pela diminuição da pressão de perfusão sanguínea no cérebro. Nos primeiros momentos do AVE isquêmico não há morte de tecido cerebral, mas a falta de suprimento sanguíneo provoca a rápida degeneração do mesmo, já que trata-se de estrutura metabolicamente muito ativa e que demanda bastante oxigênio e glicose para manutenção de sua função. As causas básicas identificadas em casos histologicamente confirmados , já que na maioria dos casos a confirmação do diagnóstico se dá após o óbito do animal durante necrópsia, incluem tromboembolismo séptico, ateroesclerose associada ao hipotireoidismo primário, migração parasitária ou êmbolo parasitário (Dirofilaria immitis) e êmbolo de células tumorais metastáticas. Em termos de suspeita clínica observa-se que pacientes com idade avançada, portadores de doenças de origem metabólica como a diabetes e o próprio hipotireoidismo , hipertensão , aumento dos níveis colesterol e obesidade, são predispostos ao acometimento por AVE isquêmico.

AVE hemorrágico ocorre pela ruptura de um vaso sanguíneo intracraniano levando ao contato  do  sangue extravasado com o tecido nervoso e prejudicando a função dos tecidos cerebrais tanto pela reação inflamatória quanto pela pressão exercida por coágulos no local. Uma causa comum para este tipo de AVE é o aneurisma, com grande índice de mortalidade em medicina humana e raramente diagnosticado na rotina clínica veterinária.

A abordagem do paciente com suspeita de AVE é realizada pela história que deverá ser bem detalhada durante a anamnese e por seu exame físico. Os sinais clínicos podem variar dependendo da região afetada, e aqueles mais comumente observados estão relacionados à capacidade em identificar a localização espacial do corpo, sua posição e orientação, alteração na força exercida pelos músculos e na posição de cada parte do corpo em relação às demais, dificuldade de comunicação (latido ,miado, abanar a cauda , ronronar), incoordenação dos movimentos, convulsão e perda da visão.

A maioria dos animais acometidos por AVE recuperam-se dentro de algumas semanas, somente com terapia de suporte e monitoramento, apresentando taxas de sucesso na recuperação mais frequentes do que em seres humanos. Os sinais clínicos da disfunção neurológica nos casos de distúrbio isquêmico tendem a permanecer estáveis ou a melhorar ao longo do tempo, ao passo que nos distúrbios de origem hemorrágica, embora raros em animais, há maior índice de óbito destes pacientes. A recuperação está diretamente relacionada ao reconhecimento dos sintomas e de um rápido e eficaz atendimento, que será realizado a critério do médico veterinário. Além de tratamento a base de medicamentos utilizados no controle da pressão arterial, na recuperação das funções motoras comprometidas e na terapia direcionada para a causa primária do AVE, encontra-se na fisioterapia e acupuntura, alternativa extremamente eficaz no auxílio à reabilitação destes pacientes.


O aumento da incidência de AVE em animais segue uma tendência atual também observada em humanos, provavelmente devido ao fato deste distúrbio ter sua ocorrência associada à idade. Com o avanço da medicina, tanto  pessoas quanto animais de estimação tiveram um aumento no tempo de vida e, por consequência disso, um maior número de casos de AVE  é constatado. Hábitos de vida sedentários e alimentação inadequada também são fatores que explicam o aumento da incidência. As dificuldades de diagnóstico e tratamento em medicina veterinária, seja em decorrência das tecnologias disponíveis ou aos altos custos ,tornam os cuidados preventivos, relacionados a modos de vida saudáveis, as melhores estratégias para o combate ao AVE em animais. A prevenção poderá reduzir o número de casos, e o tratamento adequado, mesmo que não leve à cura definitiva, eleva significativamente a qualidade de vida e o bem-estar do animal.



http://content.yudu.com/Library/A1t5sy/ClinicaVeterinaria/resources/33.htm  (artigo completo disponível apenas mediante cadastro)


Ilustração representando cérebro com AVE




Esquema ilustrativo de AVE isquêmico e AVE hemorrágico













Um comentário:

  1. Meu gato teve a primeira crise um mês atrás, fez o trateamento e melhorou, mas tem uma semana que ele voltou a ter crises, hoje ele não está andando, e come com dificuldade, mesmo tomando os medicamentos.

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