quinta-feira, 1 de março de 2012

Hipotiroidismo

Hipotiroidismo canino é a endocrinopatia (doença hormonal) mais comum nesta espécie e se caracteriza  pela deficiência na produção dos hormônios tiroxina ( T4) e tetraiodotironina (T3), ambos secretados pela glândula tiroide. 

Tal glândula se localiza lateralmente à traquéia, na região dos anéis traqueais proximais e produz principalmente T4 e níveis menores de T3. É regulada por um hormônio produzido pela hipófise denominado TSH ( hormônio tirostimulante) que se liga a receptores na própria glândula tiroide ativando uma série de eventos que culminam na liberação de T3 e T4. Assim, de acordo com os níveis de TSH no sangue, a  tiroide aumenta ou diminui seu funcionamento. 

Hormônios tiroideanos influenciam a atividade metabólica de quase todos os tecidos, sendo responsáveis pelo metabolismo de proteínas , carboidratos e gordura, além de atuarem no crescimento e maturação fetal,  fluxo sanguíneo e débito cardíaco, respiração , digestão e função reprodutora e do sistema nervoso central.  Também atuam na fisiologia de diversas outras glândulas do organismo.

Pacientes portadores de hipotiroidismo possuem ação deficiente dos hormônios tiroideanos sobre seus órgãos-alvo, secundária à secreção insuficiente de T4 e T3. A principal causa da doença no cão adulto se deve a um distúrbio autoimune, que induz, com o passar do tempo, à atrofia da tiroide, apesar de , inicialmente, ocorrer um aumento de seu volume denominado bócio. Dependendo da evolução e da expressão clínica do distúrbio, o hipotiroidismo pode ser subclínico (presença de sinais leves a moderados) ou clínico ( presença de sinais clássicos da doença).

Hipotiroidismo subclínico constitui a primeira fase da doença e se caracteriza por aumento da concentração de TSH , com níveis de T4 normais. Isto se explica pela manutenção dos níveis sanguíneos de T4, apesar da diminuição de sua secreção pela glândula tiroide, que já provoca, nesta fase alterações em diversos tecidos. Conforme a doença evolui e a secreção de T4 fica ainda mais reduzida, a hipófise aumenta a produção de TSH para forçar a produção de T4 e manter o indivíduo comprometido em condições normais. As primeiras alterações são vistas no metabolismo de gordura, levando ao aumento de colesterol. O sistema imunológico também é afetado nesta fase da doença, levando a dermatopatias devido a infecções recorrentes.

Sinais clínicos evidentes caracterizam a doença em hipotiroidismo clínico, fase a qual , já ocorre comprometimento severo na secreção diária de T4, já havendo diminuição considerável de seus níveis sanguíneos. Surgem manifestações dermatológicas intensas que se apresentam com seborréia seca ou oleosa, além de alopecia (falha no pelo), principalmente na região da cauda. Apenas 20% dos cães acometidos manifestam alopecia generalizada. Obesidade é uma manifestação frequente devido ao comprometimento do metabolismo de gordura, assim como de glicose, levando o indivíduo comprometido a apresentar letargia e sonolência. Alterações na função reprodutiva, como ausência de cio em fêmeas ou baixa libido em machos, também são manifestações comuns. Também merecem destaque as alterações cardiovasculares, como bradicardia e diminuição da contratilidade do miocárdio, e neuromusculares, como convulsões, ataxia (incoordenação dos movimentos musculares voluntários) e neuropatia facial levando ao mixedema facial (edema na face e pálpebras),  e determinando um aspecto de "facies tragica" ( expressão traduzida do latim para o português como "rosto de tragédia" ).

O diagnóstico de hipotiroidismo é feito através de exame clínico, laboratorial e de imagem, cuja interpretação, a cargo do clínico veterinário, determinará o tratamento da enfermidade, através da reposição de hormônio, além da correção dos distúrbios causados pela queda dos níveis de hormônios tiroideanos. Cães adultos e idosos  são estatisticamente os mais comumente acometidos, entretanto filhotes podem ser portadores de hipotiroidismo congênito ou juvenil, adquirido durante o período de crescimento. Assim, independente da idade do cão, qualquer manifestação clínica compatível com as anteriormente citadas, ou até mesmo sinais inespecíficos, devem representar motivo de investigação desta doença hormonal de bom prognóstico, desde que precoce e adequadamente tratada.

Artigo(s) recomendado(s): http://www.revistasusp.sibi.usp.br/pdf/bjvras/v43n6/06.pdf

http://ddd.uab.cat/pub/clivetpeqani/11307064v16n2/11307064v16n2p111.pdf

http://www.revistasusp.sibi.usp.br/pdf/bjvras/v45n4/05.pdf



Boxer com piodermite facial recorrente
e aspecto de facies tragica




Escassez de pelagem na cauda ( "cauda de rato")









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