Gatos domésticos são constantemente acometidos pela Doença do Trato Urinário Inferior Felino (DTUIF). Trata-se de uma enfermidade que compreende várias desordens do trato urinário inferior (bexiga e uretra), e que se inicia em sua grande maioria com um processo inflamatório causado pela formação de urólitos nestes órgãos, popularmente conhecidos como cálculos urinários.
Felinos acometidos pela DTUIF podem manifestar um ou mais dos diferentes sintomas associados ao comprometimento das vias urinárias inferiores. Geralmente apresentam hematúria (sangue na urina) e/ou polaquiúria (aumento na frequência de micção, porém com pouca ou nenhuma quantidade de urina). Estes sintomas podem passar despercebidos e culminarem com o agravamento do problema, pois o processo inflamatório do qual o trato urinário é acometido leva à formação de restos celulares e coágulos levando à formação dos chamados tampões uretrais, que associados à presença de cristais ou cálculos, provoca na maioria dos casos, a obstrução uretral. Este é o sintoma mais dramático da patologia e normalmente requer atendimento emergencial, uma vez que o paciente acometido já se apresenta extremamente debilitado devido à série de alterações bioquímicas sanguíneas causadas pela retenção urinária.
Por algum tempo atribuiu-se a formação de cálculos urinários aos alimentos secos industrializados, que por apresentarem altos níveis de cálcio, magnésio e fosfatos predispunham à formação de urólitos. Entretanto, estudos atuais demonstram que a precipitação de cristais que levam a formação dos cálculos ocorrem muito mais em função do potencial hidrogeniônico urinário (pH urinário), sendo mais importante sua manutenção em faixa ideal ( 6,1 a 6,5) do que o controle na ingestão de minerais para a prevenção do distúrbio.
O tipo de dieta oferecida pode interferir diretamente no pH urinário. As ricas em proteínas de origem animal, tendem a produzir urina ácida. Em contrapartida, dietas ricas em cereais e vegetais, de um modo geral, tendem a formar uma urina alcalina. Basicamente, se o pH urinário for ácido (abaixo de 6,1) pode ocorrer a formação de cristais de oxalato de cálcio e pH urinário alcalino (acima de 6,5) pode levar a formação de cristais de estruvita, e o equilíbrio no fornecimento de nutrientes, normalmente obtidos em dietas industrializadas de boa qualidade, ajuda na prevenção do problema. A frequência no fornecimento da alimentação também interfere no pH. Estudos revelam que o livre acesso à ração, e também da água, que leva a ingestão de pequenas porções de ração várias vezes ao longo do dia, mantém o pH urinário com valores constantemente próximos à faixa considerada ideal e evitando assim a precipitação dos cristais.
Outros fatores, considerados de risco podem elevar a incidência de DTUIF. A idade, por exemplo, pode ser considerada como um destes, uma vez que é raro seu surgimento em felinos com menos de 1 ano de idade. Por sua vez , indivíduos acima desta faixa de idade até 4 anos de vida são os mais frequentemente acometidos.
Animais do sexo masculino possuem a peculiaridade de apresentarem sintomatologia mais grave, já que é neste indivíduo, devido ao diâmetro e comprimento da uretra, que ocorrem as obstruções. Fêmeas são igualmente acometidas, mas por possuirem uretra curta e larga , eliminam mais facilmente o urólito, dificilmente ocorrendo a obstrução.
Outro provável fator importante de risco se deve ao estado reprodutivo, já que animais castrados tendem a manifestar obesidade. Tal condição torna o indivíduo sedentário e a menor atividade física diminui a necessidade de ingestão de água, que culminará em maior retenção urinária e por consequência uma maior concentração de urina predispondo a precipitação de cristais e levando à formação do cálculo.
Menor ingestão de água é um fator determinante para o aparecimento de DTUIF, não só pelo fato mencionado no parágrafo anterior, como também pelo próprio hábito da espécie felina, que possui grande capacidade de retenção de fluidos , o que a leva a suportar maiores períodos de privação de água. O comportamento extremamente higiênico, outra característica marcante desta espécie, também pode contribuir para o surgimento da doença, já que caixas de areia sujas e/ou colocadas próximas aos locais de alimentação estimulam o felino à retenção de urina.
Por se tratar de uma enfermidade extremamente frequente em animais da espécie felina e por sua gravidade, principalmente nos casos de obstrução uretral, a DTUIF deve ser alvo de grande atenção por parte do profissional médico veterinário, já que apenas ele poderá orientar devidamente os proprietários de gatos a adotarem medidas de manejo direcionadas para uma alimentação adequada e aos hábitos peculiares nesta espécie. Tais medidas serão fundamentais na prevenção do problema, entretanto uma vez instalado, este deve ser imediatamente detectado para que não se agrave. A manifestação dos sintomas, mesmo que em estágios iniciais determinam a necessidade de uma avaliação clínica, e o monitoramento destes animais, quando diagnosticado o distúrbio, deve ser realizado frequentemente durante toda sua vida , através de acompanhamento clínico, laboratorial e por exames de imagem, todos de acordo com a indicação do profissional responsável.
Artigo(s) recomendado(s): http://www.revistasusp.sibi.usp.br/pdf/bjvras/v35n2/35n2a04.pdf
http://www.ceres.ufv.br/CERES/revistas/V53N310P08906.pdf
http://periodicos.ufersa.edu.br/revistas/index.php/acta/article/view/1446/4501
Por se tratar de uma enfermidade extremamente frequente em animais da espécie felina e por sua gravidade, principalmente nos casos de obstrução uretral, a DTUIF deve ser alvo de grande atenção por parte do profissional médico veterinário, já que apenas ele poderá orientar devidamente os proprietários de gatos a adotarem medidas de manejo direcionadas para uma alimentação adequada e aos hábitos peculiares nesta espécie. Tais medidas serão fundamentais na prevenção do problema, entretanto uma vez instalado, este deve ser imediatamente detectado para que não se agrave. A manifestação dos sintomas, mesmo que em estágios iniciais determinam a necessidade de uma avaliação clínica, e o monitoramento destes animais, quando diagnosticado o distúrbio, deve ser realizado frequentemente durante toda sua vida , através de acompanhamento clínico, laboratorial e por exames de imagem, todos de acordo com a indicação do profissional responsável.
Artigo(s) recomendado(s): http://www.revistasusp.sibi.usp.br/pdf/bjvras/v35n2/35n2a04.pdf
http://www.ceres.ufv.br/CERES/revistas/V53N310P08906.pdf
http://periodicos.ufersa.edu.br/revistas/index.php/acta/article/view/1446/4501
![]() |
| Felino em posição de urinar (Polaquiúria) |


Nenhum comentário:
Postar um comentário