quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Cinomose canina

Cinomose é uma doença causada por um vírus da família Paramyxoviridae, de origem infecciosa e considerada mundialmente importante para a população de cães, devido à sua alta prevalência na rotina clínica veterinária por seus elevados índices de morbidade, ou seja, um grande número de animais adoecem quando entram em contato com o vírus, característica que a torna altamente contagiosa. Os índices de mortalidade também são bastante altos, podendo chegar a 100%, e aqueles que se recuperam da moléstia, frequentemente apresentam sequelas, principalmente neurológicas. Não há predileção sazonal, por sexo ou raça, e sua incidência é mais alta em filhotes com até 90 dias de  idade, período em que diminui a taxa dos anticorpos maternos.

Os animais infectados eliminam o vírus em todas as suas secreções e excreções corporais , podendo ocorrer contaminação por via digestiva ou conjuntival pelo contato direto, ou por aerossóis ( contaminação através do ar) , sendo esta a principal forma de contágio. Após a transmissão , o vírus atinge os macrófagos do trato respiratório superior já no 1º dia, se multiplicando e invadindo outras células de defesa entre o 2º e o 3º dias após a infecção. A partir do 3º dia o vírus se replica em todos os órgãos do sistema linfóide, como medula óssea, timo, baço e linfonodos se disseminando para outros tecidos como o gastrointestinal e urinário, pele e anexos e sistema nervoso central. Esta replicação causa linfocitólise e leucopenia resultando em imunossupressão (queda da imunidade), o que torna o indivíduo acometido, susceptível às infecções bacterianas secundárias.

O período de incubação para o início do aparecimento dos sinais clínicos da cinomose é de aproximadamente 14 dias, ou seja , o animal manifestará os sintomas da doença geralmente após duas semanas de infectado. Entre o  4º  e o 7º dias após a infecção, ocorrem febre e queda de leucócitos sem que ocorram sinais nítidos da moléstia. A temperatura retorna ao normal se mantendo por período de até 2 semanas, quando ocorre outra elevação da temperatura corporal, acompanhada de conjuntivite e rinite, podendo-se observar tosse, diarréia, vômito e perda de apetite com queda de peso. Surgem secreções oculonasais de aspecto purulento e broncopneumonia em decorrência das infecções secundárias. É comum o aparecimento de coleções de pus (pústulas) na pele da região abdominal e infecções oculares são observadas frequentemente havendo desde falhas de pêlo e crostas ao redor dos olhos até cegueira. Pode ocorrer hipoplasia do esmalte dentário de filhotes e hiperceratose dos coxins podais e do nariz. Sinais neurológicos se instauram após a doença sistêmica, podendo apresentar-se imediatamente ou após semanas ou meses de recuperação do animal. O sinal neurológico mais característicos da cinomose é a mioclonia (espasmos musculares involuntários), entretanto convulsões, alterações como ataxia, incoordenação e paralisia são comumente observados, sendo geralmente considerados como sequelas neurológicas após a resolução da doença.

Não existem medicamentos antivirais ou agentes quimioterápicos de valor prático no tratamento da cinomose. Sendo assim o prognóstico é reservado para a maioria dos casos, principalmente se estiverem presentes os sinais neurológicos ou se o paciente não conseguir debelar as infecções bacterianas secundárias. Por se tratar de uma doença grave,  altamente contagiosa , de difícil cura e com possibilidade de sequelas mesmo com sua resolução, a prevenção é imprescindível e facilmente obtida através de programas de vacinação convencionais. A idade na qual os filhotes se tornam susceptíveis à cinomose é proporcional ao número de anticorpos da mãe transferidos através do colostro, devendo estar esta, devidamente imunizada, principalmente tempos antes de engravidar. Nos filhotes a imunização deve ser iniciada logo que a titulação de anticorpos maternos caia, o que ocorre, na média, por volta de 6 semanas de idade, quando deve ser administrada a 1a dose de vacina. Logo que administrada , já se obtém aproximadamente 50% de proteção, e na 2a e 3a doses o animal vacinado já possui 75 e 95 % de imunização,respectivamente, levando-se em consideração o  protocolo mais comumente adotado que consiste em 3 doses de vacina com intervalos de 21 dias entre aplicações. É recomendável a revacinação anual, já que ocorre declínio de anticorpos neste intervalo. Sempre que houver adoção ou compra de cães, é de fundamental importância um contato imediato com o médico veterinário, para que o mesmo possa adotar todas as medidas preventivas contra esta importante doença e buscar alternativas de tratamento, quando  já instalada, se possível for.


Artigo(s) consultados:
http://qualittas.com.br/uploads/documentos/Cinomose%20Canina%20-%20Revisao%20de%20Literatura%20-%20Brunno%20Medeiros%20dos%20Santos.PDF

http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/22948/000737928.pdf?sequence=1

http://periodicos.ufersa.edu.br/revistas/index.php/acta/article/view/1178/712

http://www.scielo.br/pdf/pvb/v27n5/a06v27n5.pdf






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