terça-feira, 15 de novembro de 2011

Hipertensão

A hipertensão sistêmica é o aumento da pressão arterial sanguínea sendo uma das causas mais comuns de morbidade e mortalidade na medicina humana. Na medicina veterinária, ainda não é frequentemente diagnosticada, já que a aferição da pressão arterial não é realizada na rotina clínica diária, embora este quadro esteja mudando, uma vez que já existem novas técnicas que permitem um diagnóstico rápido e eficaz na determinação das pressões sistólica e diastólica da pressão sanguínea.

Como conceito básico de pressão sanguínea, descreve-se que trata-se da pressão do sangue exercida  sobre a parede dos vasos sanguíneos, e qualquer alteração que envolva de alguma forma os mecanismos circulatórios podem altera-la. A relação entre a quantidade de sangue bombeado pelo coração em determinada fração de tempo (débito cardíaco) e a força que um vaso sanguíneo tende a suportar (resistência vascular periférica) é o "pilar de sustentação" da pressão sanguínea, sendo o equilíbrio desta relação o fator determinante para uma condição de normalidade. Distúrbios direta ou indiretamente causadores da perda deste equilíbrio podem culminar com o aumento da pressão do sangue sobre os vasos, tornando o indivíduo hipertenso.

A Hipertensão arterial é classificada em primária e secundária. A primária é idiopática, ou seja de causa desconhecida, representando 95% dos casos em seres humanos. Cães e gatos são mais comumente acometidos pela hipertensão secundária. Esta é assim denominada por se caracterizar pela pré existência de um fator primário como agente etiológico, e sua detecção prévia  pode determinar um controle adequado e até precoce da moléstia.

Estudos revelam que alguns animais apresentam doença clínica evidente causada pela hipertensão. Em outras situações o paciente está hipertenso mas ainda não manifestou evidências das condições patológicas relacionadas, sendo considerada assim, uma doença silenciosa. Fatores como idade e raça influenciam na alteração da pressão sanguínea de cães e gatos.

Algumas doenças estão relacionadas à hipertensão, sendo diretamente envolvidas com seu diagnóstico, tratamento e prognóstico. Dentre as diversas patologias, a doença renal é a de maior destaque em medicina veterinária, por ser a causa mais comum de hipertensão em pequenos animais. Doenças hormonais como hipotireoidismo, hiperadrenocorticismo e diabetes melitus, além de cardiopatias, doenças hepáticas, anemia e obesidade são comumente observadas no paciente hipertenso, merecendo, assim serem destacadas como eventuais causadoras da moléstia.


Quanto às consequências da hipertensão, é importante ressaltar que o aumento da pressão de perfusão pode lesar os leitos capilares que irrigam os tecidos. Esta lesão provoca uma queda da oxigenação destes vasos, denominada hipóxia capilar, com consequente lesão tecidual, o que irá resultar em disfunções orgânicas e levar a diversos efeitos patológicos. Pacientes hipertensos estão frequentemente sujeitos a complicações oculares , como glaucoma e descolamento de retina,  complicações neurológicas , como o acidente vascular encefálico e complicações renais , como a doença renal crônica levando à insuficiência renal. Por serem estes os órgãos mais comumente afetados na hipertensão arterial, alterações como cegueira , convulsões ou poliúria/polidipsia (urina muito/possui muita sede) são constantemente observados em pacientes que terão como diagnóstico definitivo a hipertensão sistêmica.


O diagnóstico definitivo consiste na mensuração da pressão sanguínea feita através de mais de uma aferição, devendo haver comparação entre os resultados para avaliar a precisão. Deve ser realizada em ambiente tranquilo para o animal, sendo recomendado em todos os pacientes com condições clínicas associadas às doenças, que predispõem à hipertensão. Ao se determinar o critério de avaliação da pressão arterial de cães e gatos, pode ser adotado o protocolo de três mensurações com valores acima de 150/95 mmHg em cães assintomáticos para detectar a ocorrência da hipertensão. Em pacientes sintomáticos, basta uma única mensuração com resultados acima deste valor.


Atualmente o método mais fácil e menos invasivo de se obter os valores de pressão arterial sistêmica na medicina veterinária, é denominado mensuração indireta. Esta pode ser realizada através do ultra-som doppler (Fig.1) ou pelo método oscilométrico (Fig 2) , que oferecem uma confiabilidade satisfatória quanto aos seus resultados. A mensuração direta possui enorme precisão, porém apresenta dificuldades quanto à sua realização devido à necessidade de cateterização do paciente, sendo frequentemente utilizada durante monitoração transcirúrgica.


O tratamento deve ser iniciado logo que se diagnostique a hipertensão, e é baseado no uso de anti-hipertensivos. Este é direcionado para a obtenção de um menor volume de sangue circulante associado à vasodilatação , e o sucesso da terapia vai depender da tendência dos mecanismos homeostáticos interagirem com a droga para restabelecer a pressão normal.

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Fig1: Mensuração da pressão em felino pelo método Ultra-som Doppler

Fig 2: Mensuração da pressão arterial em cão pelo método Oscilométrico



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