Trata-se de uma síndrome comum em felinos, denominada Lipidose Hepática Felina (LHF) potencialmente fatal, e que acomete indivíduos em condição corporal elevada os quais sofreram um período de anorexia (perda de apetite) ou uma privação alimentar prolongada. Quando acometido , o animal manifesta disfunção hepatobiliar severa. Foi descrita pela primeira vez em 1977, como uma doença idiopática (sem causa definida), porém sabe-se hoje, que a maioria dos casos em que esta síndrome se manifesta (mais de 95%) o indivíduo sofre de um processo patológico primário, que irá gerar estado catabólito no animal.
O modo de vida sedentário, o confinamento no interior de apartamentos e a esterilização, são fatores que contribuem para o desenvolvimento da obesidade, já que ocorre diminuição da atividade física bem como alteração das taxas metabólicas, as quais exacerbam o desequilíbrio entre a energia ingerida e a energia consumida. Sendo assim LHF é frequentemente observada em gatos obesos ou que previamente o eram, e que sofreram um período de anorexia ou uma privação alimentar prolongada, havendo restrição de energia para o organismo. Com este processo advém uma mobilização de gordura para o fígado gerando acúmulo excessivo de triglicérides no interior das células daquele órgão (hepatócitos). Em decorrência deste acúmulo, uma série de alterações metabólicas irá ocorrer, gerando prejuízo ao estado de saúde do animal acometido.
LHF refere-se portanto a uma síndrome associada a anorexia de felinos obesos que manifestam perda gradativa de peso , atrofia muscular , sinais de doença hepática, bem como aumento sanguíneo das enzimas associadas à lesão deste órgão. Pode atingir gatos de qualquer idade, entretanto é mais comum em adultos de meia idade (cerca de 7 anos), que se apresentam com histórico de obesidade , diminuição do apetite e perda de cerca de 25% da massa corporal , em um período médio de sete dias. Os sinais clínicos mais comuns são prostração, fraqueza , podendo aparecer vômito, diarréia, desidratação, e más condições de pêlo. Ocorre perda de depósito periférico de gordura corporal com acúmulo abdominal aparente. Em função do comprometimento hepático, 70% dos pacientes acometidos se apresentam com sintomas relacionados, principalmente a icterícia (cor amarelada de pele e mucosas, causada pelo acúmulo da substância bilirrubina no organismo, devido ao comprometimento da função das células hepáticas).
Pacientes acometidos por LHF, podem ser considerados, em sua maioria, portadores de uma doença primária causadora de anorexia, e que pode estar oculta, sendo importante sua identificação, para que a abordagem clínica seja feita de forma adequada. O acúmulo de gordura no fígado pode estar associado à inúmeras causas, incluindo outras anormalidades hepáticas, pancreatite, patologias do trato gastrointestinal, patologias respiratórias , patologias do sistema urinário, neoplasias , estresse gerado por fatores relacionados à mudança de hábito, introdução de novo animal na casa, administração de medicamentos por via oral, entre outros, Diabete melito, doenças infecciosas e causas de origem desconhecida (causa idiopática). Conclui-se portanto que os distúrbios citados são os causadores da anorexia que consequentemente irá exacerbar o acúmulo de gordura no fígado, excedendo sua capacidade de metabolizar e remover os lipídios da célula hepática.
LHF é uma doença de prognóstico reservado a bom. Estudos revelam que a taxa de recuperação destes pacientes é de aproximadamente 90% se o mesmo sobreviver aos primeiros dias de acometimento, desde que se encontre em condições clínicas adequadas, as quais estarão diretamente relacionadas ao momento em que se iniciou o tratamento, ou seja, quanto mais cedo forem tratados, maior a taxa de recuperação. É possível a prevenção da doença, já que está diretamente relacionada à obesidade. O proprietário deve ser orientado quanto à observação criteriosa do consumo alimentar de pacientes obesos, que pode reduzir em situações como as citadas anteriormente. Se houver desinteresse pelo alimento, o profissional médico veterinário deverá atuar, realizando o diagnóstico , tratando a patologia e assim prevenindo complicações passíveis de acarretar a morte destes pacientes.
Artigos consultados: http://www.veterinariosnodiva.com.br/books/LipidioseHepaticaFelina.pdf
https://www.repository.utl.pt/bitstream/10400.5/1531/1/LIPIDOSE%20HEP%C3%81TICA%20EM%20FELIDEOS.pdf


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