segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Giardíase

Das patologias que freqüentemente acometem animais e seres humanos, a giardíase tem despertado maior interesse dos pesquisadores, possivelmente por representar uma zoonose, além de causar, em animais jovens, distúrbios gastrointestinais que podem submeter o paciente ao risco de complicações à sua saúde e até mesmo óbito eventualmente. 

Possui como agente etiológico o parasito protozoário entérico denominado Giardia lamblia, e é considerada a moléstia protozoal intestinal clinicamente mais importante em cães e gatos. Sua prevalência apresenta índices variáveis, dependendo da localização geográfica, do método utilizado para o diagnóstico e da população estudada, entretanto , sabe-se que é alta em todo o mundo. No Brasil, trabalhos revelam prevalência de 5% em cães com dono e até 72% em cães de rua. Na população humana, a prevalência do parasita varia entre 2% em países desenvolvidos e mais de 30% em países subdesenvolvidos. Outros estudos epidemiológicos, embora revelem seu potencial zoonótico, não indicaram que a posse de um animal de estimação seja fator de risco significativo para giardíase em humanos, não deixando de lado a influência de cuidados de higiene rotineiros no dia-dia das pessoas. Tanto em animais quanto em seres humanos, a prevalência de giardíase é inversamente proporcional à idade do hospedeiro (quanto menor a idade maior o número de indivíduos parasitados), em função da maturidade imunológica e de maior propensão à ingestão de material fecal.

O protozoário G. lamblia possui um ciclo de vida representado por dois estágios: Trofozoíto e Cisto. Trofozoíto é o estágio ativo e móvel do microrganismo, que habita o intestino delgado do hospedeiro e se encontra aderido à parede intestinal. Embora seja a forma causadora da doença, não apresenta capacidade invasora ou destrutiva direta. Cisto é a forma infectante da doença, localizado junto às fezes, resistente ao ambiente externo e transmissível ao hospedeiro susceptível. O ciclo da doença é direto, ou seja, não necessita de hospedeiros intermediários ou vetores. O indivíduo ingere o cisto (forma infectante), e em contato com o processo de digestão, ele se rompe liberando dois trofozoítos. Estes , por sua vez se instalam na luz intestinal se aderindo às células aonde sofrem novo encistamento, sendo eliminados ao ambiente através das fezes em um período variável entre 7 e 14 dias.

Após sua eliminação no ambiente externo junto às fezes, aonde pode sobreviver por longos períodos , o cisto de G. lamblia contamina o ambiente, podendo ser ingerido. No caso de animais a contaminação pode acontecer de forma direta, já que o contato com as fezes, muitas das vezes havendo até sua ingestão (coprofagia), é muito comum, principalmente em locais com aglomerado de cães ou gatos. A contaminação em seres humanos, normalmente ocorre através da ingestão de água ou alimentos contaminados pelo cisto.

A sintomatologia clínica principal ocorre em função da aderência do trofozoíto à célula intestinal ocasionando distúrbios gastrointestinais. Alteração na consistência das fezes que tendem a ficar pastosas a líquidas, seu odor fétido e a frequência aumentada de defecação representam o processo diarreico, que pode levar ao quadro de prostração, perda de apetite e desidratação. A manifestação da diarreia ocorre de forma crônica e intermitente. Alguns animais podem apresentar perda de peso, febre, vômitos e dor abdominal. Em animais adultos a giardíase pode ser assintomática, e o estado nutricional além da resposta imunológica pode determinar o aparecimento dos sintomas, bem como sua intensidade.

Quanto às medidas preventivas da giardíase em animais, é pertinente salientar a importância da higiene do ambiente em que vivem, principalmente no caso de canis ou gatis, utilizando produtos de ação desinfetante diariamente, após limpeza do local. No caso de alteração do aspecto das fezes ou qualquer outro sinal, como aqueles anteriormente citados, o profissional médico veterinário deverá ser acionado. Giardíase precocemente diagnosticada, o que geralmente não acontece por meio de exames laboratoriais convencionais, em função da eliminação intermitente de parasitas pelo hospedeiro, é facilmente tratada. Outro fator importante a ser destacado pelo clínico, é quanto às medidas profiláticas a serem adotadas, já que outros animais e pessoas podem também se contaminar. Ações usuais de higiene como limpeza adequada das mãos , lavagem dos alimentos e uso de água filtrada são importantes na prevenção da doença em seres humanos.


Artigos Consultados: http://patologia.bio.ufpr.br/posgraduacao/teses/2007/dissertacaopaola.pdf 

http://www.vetanalises.com.br/VetAnalises/down/Giardiase.pdf

http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faenfi/article/viewFile/5487/5912

http://www.scielo.br/pdf/abmvz/v55n6/19385.pdf

http://www.scielo.br/pdf/%0D/cr/v35n1/a20v35n1.pdf



Imagem ilustrativa de G. lamblia


Cisto de G. lamblia
Trofozoítos de G. lamblia
    
                                                             

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