sábado, 15 de outubro de 2011

AIDS Felina

A síndrome da imunodeficiência adquirida em felinos (FAIDS) é induzida por um vírus da família Retroviridae (Retrovírus) de duas subfamílias : o vírus da imunodeficiência felina (FIV) que pertence à subfamília Lentivirinae e o vírus da leucemia felina (FeLV) pertencente à subfamília Oncovirinae. Ambos são considerados como os mais importantes agentes etiológicos de doenças virais em gatos, pois afetam o sistema imunológico , levando a alta morbidade e mortalidade em seus hospedeiros. A infecção por FIV e FeLV possui prevalência alta na população felina, e é frequentemente diagnosticada em gatos domésticos de todo mundo. Embora possuam características semelhantes quanto ao potencial imunossupressor e possam acometer um felino concomitantemente, devem ser abordadas de forma distinta, devido às peculiaridades individuais de cada uma delas.

  • FIV 
A Imunodeficiência felina é uma doença causada por um lentivirus que pode estabelecer infecção persistente em gatos domésticos. O vírus é  transmitido mais comumente por meio de mordeduras ocorridas durante brigas, sendo inoculado através de ferimentos, o que faz dos machos de vida livre o grupo de maior risco de contágio.  Gatas acometidas durante a gestação podem transmitir a doença ao feto ou filhote , e outro meio de transmissão ocorre por transfusões de sangue contaminado pelo vírus.

Pode ser caracterizada em cinco estágios , com base nos sinais clínicos observados. O estágio I ou fase aguda pode durar semanas ou meses, e se caracterizar pela ausência de sinais clínicos ou por sintomatologia inespecífica como febre, prostração, diarréia e infecções respiratórias. No estágio II os animais acometidos podem permanecer assintomáticos durante longo período de tempo (6 anos em média). O estágio III se caracteriza por linfoadenomegalia (aumento generalizado dos linfonodos) , e pode durar meses. O estágio IV, denominado Complexo relacionado à AIDS (ARC) , se caracteriza pelo aparecimento das alterações de natureza crônica, como infecções dermatológicas , respiratórias ou entéricas, sendo as gengivites, estomatites e periodontites os achados clínicos mais comuns ,  e podendo durar meses a anos. O estágio V também denominado fase terminal da doença ou síndrome da imunodeficiência adquirida felina (FAIDS), é progressiva e fatal, podendo durar meses e levando o portador à enfermidades relacionadas à imunossupressão e à insuficiência renal crônica.

Trata-se de uma doença sem cura, entretanto possui um prognóstico reservado, já que um animal portador de FIV pode viver por muitos anos sem manifestar sintomas clínicos graves. Medidas profiláticas devem ser adotadas e cuidados com a saúde do felino portador são de fundamental importância. Uma vez diagnosticada a doença, o animal deve ser submetido a acompanhamento médico veterinário frequente, já que tem-se na prevenção e na cura das infecções oportunistas a base de seu tratamento. Devem ser submetidos a consultas de rotina , com avaliações laboratoriais e controle do peso. Além disso, a restrição do gato portador a ambientes externos, evita a contaminação de outros felinos , bem como a preservação de sua saúde evitando o aparecimento de enfermidades secundárias.


  • FeLV
A Leucemia felina é causada por um retrovírus oncogênico e infecta gatos de todo o mundo, estando associada tanto a doenças neoplásicas quanto não neoplásicas e imunossupressoras. A incidência desta infecção está diretamente relacionada à densidade populacional, já que é facilmente transmitida pelo contato oronasal, tornando a doença altamente contagiosa entre gatos que convivem em grupos, principalmente os filhotes. Esta transmissão ocorre principalmente pela saliva, não sendo necessário a existência de ferimentos, como na FIV, bastando um simples contato direto, como na higienização mútua, ou indireto, através de camas , comedouros ou bebedouros coletivos, para que ocorra a contaminação. Pode ocorrer, também , pela exposição à urina, fezes, sangue ou pela via transplacentária (gata contaminada para o feto através da placenta). 

A imunossupressão é a mais frequente e devastadora manifestação clínica em animais portadores da doença, aumentando a susceptibilidade a infecções bacterianas , fúngicas , protozoarianas e a outras infecções virais como a Peritonite Infecciosa Felina (PIF). A sintomatologia mais comumente observada é a presença de secreção nasal e ocular, sendo também, muito comum, a ocorrência de diarréia, doença periodontal, otites e neuropatias. Outras manifestações de caráter degenerativo muito comuns, assim como a imunossupressão, são a infertilidade, nefropatias e anemias. Também comum em animais portadores de leucemia felina, as doenças caracterizadas como proliferativas tornam o prognóstico bastante desfavorável. Entre as mais comuns se encontram o linfoma e o fibrossarcoma, consideradas como neoplasias malignas relacionadas ao comportamento oncogênico do vírus. A maioria dos felinos vem a óbito antes de completar o segundo ano de vida , e aqueles que sobrevivem frequentemente manifestam tais neoplasias.

Também não existe cura para a leucemia viral felina, e o prognóstico dos animais portadores desta doença é desfavorável, já que, conforme mencionado anteriormente, aqueles que sobrevivem às infecções oportunistas, geralmente manifestam neoplasias posteriormente. Entretanto ao ser diagnosticada, o animal deve receber cuidados que previnam a ocorrência de tais infecções. Uma vez instalada a doença com suas manifestações clínicas, recomenda-se, também, tratamento de suporte, como a reidratação e a correção da desnutrição, a ser determinado pelo médico veterinário. O método ideal de controle da FeLV consiste em evitar o contato direto ou indireto de animais infectados com os não infectados, devendo ser, estes últimos, submetidos à avaliações clínicas e laboratoriais, de acordo com determinação médica, para possibilitar diagnóstico precoce, em caso de contaminação.


A prevalência de FIV e FeLV, pode ser considerada alta entre a população felina mundial, não sendo diferente entre os gatos brasileiros. Portanto a introdução de um animal em um gatil deve ser sempre precedida pela realização de testes sorológicos para detecção de retroviroses, como meio de controlar a disseminação destas doenças, principalmente FeLV. O contato com gatos de rua deve ser sempre evitado e a realização destes testes deve ser considerada em felinos que manifestem sintomas de imunodeficiência e de infecções oportunistas. A vacinação seria o método ideal de controle , entretanto devido à grande capacidade de mutação dos lentivirus , a elaboração de vacinas contra FIV, torna-se difícil, não existindo disponibilidade no mercado. No caso de FeLV , é possível e recomendável a imunização de gatos soronegativos com alto risco de exposição ao vírus ( animais de rua , domiciliares com acesso à rua e gatis) , utilizando vacinas disponíveis em consultórios e clínicas veterinárias.




Gatil ( fonte de contaminação por Retrovírus)

Vários animais com acesso á rua (fonte de contaminação por  Retrovírus)

Estomatite (comum em FIV)
                       
                                                                                          Sarcoma por injeção (comum em FeLV)






sábado, 1 de outubro de 2011

Leishmaniose Canina

A leishmaniose é uma doença provocada por um protozoário do gênero Leishmania que , de acordo com sua espécie, pode produzir manifestações cutâneas , mucocutâneas , cutâneas difusas e viscerais. Tal microorganismo é classificado em dois grandes grupos, sendo um deles o causador da  leishmaniose tegumentar e o outro da leishmaniose visceral.

Dentre as espécies de Leishmania , quatro delas possuem maior importância no Brasil devido à sua maior distribuição em todo o país. Três delas, as espécies Leishmania braziliensis , Leishmania amazonensis e Leishmania guyanensis são as mais comumente observadas como causadoras da leishmaniose tegumentar americana. Esta é considerada uma das endemias de maior importância em saúde pública no Brasil, devido a sua ampla distribuição pelo território nacional, a ocorrência de formas clínicas graves e pelas dificuldades referentes  ao seu diagnóstico e tratamento.


A Leishmania chagasi é o agente etiológico causador da leishmaniose visceral no Brasil. Popularmente conhecida como Calazar, até alguns anos atrás,  era considerada como doença própria de ambientes silvestres e rurais. No entanto, sua prevalência vem aumentando no país, tanto no número de casos como também na dispersão geográfica da doença. Possui nos cães o seu principal reservatório, quando fora do ambiente silvestre, e a infecção no homem normalmente  é precedida por casos caninos. Do ponto de vista epidemiológico, portanto, a leishmaniose em cães é considerada mais importante do que em humanos, pois, além de ser mais prevalente, apresenta grande contingente de animais infectados com parasitismo cutâneo, que servem como fonte de infecção para os insetos vetores, sendo um importante elo na transmissão da doença para o homem.


Trata-se de uma doença que ocorre em 18 dos 27 estados brasileiros, e estima-se que, nas áreas endêmicas , a prevalência de leishmaniose se apresente em torno de 20 a 40% da população canina, sendo este um número alarmante e que a torna uma das doenças mais importantes na rotina clínica veterinária, não só por sua gravidade e letalidade para cães, mas também por se tratar de uma antropozoonose (doença em animais que acomete o homem).


A principal forma de transmissão ocorre através da picada do inseto vetor ou flebótomo Lutzomyia longipalpis, que se infecta quando realiza repasto sanguíneo em um animal ou homem infectado, ingerindo o parasita presente na derme e transmitindo-o em seu próximo repasto. Popularmente conhecido como "mosquito-palha", é menor do que os pernilongos comuns e possui coloração amarela, cor de areia, parecida com a palha de milho. Possui hábitos matinais e vespertinos, ou seja, sai para se alimentar de manhã bem cedo e ao entardecer, e costuma se reproduzir em locais com matéria orgânica em decomposição. Existem relatos na literatura sobre a transmissão da doença na ausência do vetor, sendo descrita a transmissão vertical ( da mãe para o feto através da placenta) , transmissão venérea unidirecional de macho para fêmea (machos infectados transmitem para fêmeas durante cópula) , por transfusão sanguínea e transmissão por artrópodes não-flebotomíneos ( picada de pulgas e carrapatos).


No cão, o período de incubação médio da doença é superior a quatro meses, porém com variações neste período de 2 meses até 6 anos. Em geral os primeiros anticorpos são observados em 45 dias após a infecção. Cães com Leishmaniose podem ser assintomáticos, oligossintomáticos (apresentando apenas alguns sintomas) ou sintomáticos. Estima-se que 50% dos cães infectados sejam assintomáticos, o que sugere a existência de animais resistentes ou com infecção recente nessa população. Os sintomáticos podem apresentar emagrecimento, prostração e perda do apetite. São comumente observadas alterações dermatológicas como dermatite seborreica, alopécia periorbital (falha de pêlo ao redor dos olhos) e onicogrifose (crescimento exacerbado das unhas). Observa-se também com grande frequência  sinais  como a linfadenomegalia (aumento de tamanho dos gânglios), hepatoesplenomegalia (aumento de tamanho de fígado e baço) , pneumonia , diarréia , insuficiência renal crônica , anemia , hemorragias , neuropatias como  encefalite e meningite , poliartrites e alterações oculares como conjuntivite.


Com relação à leishmaniose visceral humana, observa-se que a maioria dos indivíduos permanece assintomática, caracterizando-se apenas como portadores de uma infecção subclínica. Aqueles que desenvolvem a doença apresentam inicialmente quadro febril, geralmente diário, acompanhado de aumento do volume abdominal, em decorrência da hepatoesplenomegalia. As vísceras atingirão volumes de grandes proporções, principalmente o baço, se o paciente não for tratado. Haverá ainda perda de peso, perda do apetite e palidez mucocutânea.


Existem relatos de leishmaniose visceral em felinos principalmente nas regiões consideradas endêmicas. Apesar da ocorrência de infecções esporádicas, a espécie felina não é considerada, até o momento, reservatório importante da doença. São pouco conhecidas a prevalência, a transmissão e o quadro clínico da enfermidade nessa espécie que normalmente é inespecífico e se assemelha aos sintomas observados na espécie canina. Evidências apontam que a leishmaniose felina pode estar associada a doenças imunossupressoras, tais como a leucemia (FeLV) e imunodeficiência viral felina (FIV).


A leishmaniose visceral canina é uma doença de difícil diagnóstico, sendo necessário muitas das vezes a realização de vários exames, bem como sua repetição. Os informes clínicos, principalmente em pacientes sintomáticos são bastante relevantes, entretanto devem ser complementados com exame sorológico , parasitológico , hemograma, proteinograma e provas de função renal e hepática.


As medidas adotadas na prevenção da leishmaniose canina devem ser baseadas no controle do vetor (mosquito) , através de borrifação de inseticidas nas áreas intra e peridomiciliar. No cão, o uso de coleira a base de Deltametrina e produtos tópicos com ação repelente do mosquito devem ser considerados. Realizar limpeza frequente dos locais de acúmulo de matéria orgânica como canis,  galinheiros, viveiros e gaiolas de pássaros , quintais com árvores ou jardins e lotes vagos. Devem ser evitados passeios com o cão em horários de repasto sanguíneo do mosquito (entre 6:00 e 7:00 e 18:00 e 19:00), lembrando-se dos períodos de horário de verão existente em alguns estados. A proteção imunológica possui, atualmente, enorme representatividade na prevenção da doença em cães, devendo ser considerada a vacinação do animal, já que existem vacinas contra Leishmaniose disponíveis no mercado.


A eutanásia de cães soropositivos é recomendada pela OMS (Organização Mundial de Saúde), entretanto a própria entidade reconhece o grande valor afetivo, econômico e prático destes animais, na grande maioria das vezes, não podendo ser eliminados indiscriminadamente. Outro fator importante está relacionado à ineficácia do extermínio destes cães no controle da doença, e um dos fatores para tal se relaciona ao método de exame adotado, que em diversas situações gera resultados falso-positivos. A eliminação do vetor é necessariamente o método mais eficaz na prevenção da Leishmaniose visceral. Portanto todo e qualquer animal que manifeste sintomas de leishmaniose deve ser encaminhado aos cuidados do profissional médico veterinário que irá orientar e adotar condutas que melhor convierem ao bem-estar de seu paciente , das pessoas que convivem com ele e da população de um modo geral.



                                                
Lutzomyia longipalpis (foto)

                                                    
Lutzomyia longipalpis (desenho)



                                                                                                                 
                                                   
Alopécia (falha de pêlo) em orelha  de cão                                                   Lesões perioculares em cão



quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Os cães-guia

O convívio com cães estabelece uma série de benefícios na vida das pessoas em diferentes faixas etárias, classes sociais ou estado de saúde, e dentre estes benefícios devemos destacar a importância do cão-guia na vida de deficientes visuais.

Sua atividade tem se tornado imprescindível na melhoria da qualidade de vida destas pessoas, já que recebem treinamento árduo para auxilia-los durante o seu dia-a-dia. Proporcionam uma melhor desenvoltura na locomoção, prevenindo acidentes em obstáculos pelo chão, como buracos, e aéreos, como galhos, que não são passíveis de identificação por bengalas. Além disso os cães-guia auxiliam na determinação do melhor caminho, na travessia de ruas e na identificação de pontos de referência como escadas, portas, elevadores e cadeiras.

Treinar um cão para ser guia é uma tarefa difícil que demanda tempo, investimento e dedicação. A realidade no Brasil quanto a esta modalidade de trabalho canino , ainda é bem negativa, principalmente se comparada à  de países como Estados Unidos, França e Japão. Estima-se que existam apenas 80 cães para 1,4 milhões de deficientes visuais em todo o país, entretanto a existência de ONGs como o Instituto de Integração Social e Promoção da Cidadania ( http://www.mpdft.gov.br/sicorde/caoguia.htm ) , contribui para a mudança deste panorama desde sua fundação em 2002, com o treinamento de cães para tal função. Outra ONG de destaque é a IRIS (www.iris.org.br), que não realiza o treinamento completo no Brasil, mas tem parceria com uma escola americana, que recebe os usuários brasileiros. Estes por sua vez, têm suas passagens pagas pela ONG e seus parceiros.

O treinamento e a manutenção de um animal custam em média 25 mil reais e o usuário não paga pelo cão. As raças preferidas para a atividade são o Pastor Alemão, o Labrador Retriever e o Golden Retriever, por se destacarem pela inteligência , facilidade de adaptação à diversas situações , fidelidade e docilidade. Os filhotes são selecionados aos dois meses e entregues a voluntários que se propõem a cuida-los até completarem 1 ano de idade. Após este período o cão, que já foi submetido propositadamente a situações que contribuam com sua socialização, é reavaliado com relação ao seu comportamento e seu estado geral de saúde. Se apto é encaminhado para o treinamento com duração de seis a doze meses dividido em estágios. Estas etapas consistem em aprendizado de comandos iniciais, como sentar, deitar e virar a esquerda ou a direita. Em seguida aprendem a lidar com pequenos obstáculos como degraus e pisos irregulares. Posteriormente passam por simulações de situações externas, como desviar de obstáculos maiores e caminhar por calçadas e faixas de pedestre, ainda sem sair do centro de treinamento. Na etapa final são levados às ruas para vivenciarem situações reais.

O usuário do cão-guia também deve ser submetido a treinamento, já que é necessário uma adaptação para uma melhor interação entre ele e o cão. Orientações técnicas de comandos, assim como aprender a reconhecer um movimento diante de um desvio de obstáculo por exemplo, são fundamentais para que o deficiente visual possa fazer uso adequado da atividade de guia de seu cão. Recebem também, orientação veterinária acerca de cuidados com a saúde do animal.

Quando entregue ao usuário, o cão-guia fica em atividade por cerca de oito a dez anos. Após esta idade devem ser afastados do trabalho e na maioria das vezes permanecem com seu dono, com parentes ou amigos. Em diversas ocasiões são convidados a demonstrações em escolas e exposições.

A lei número 11.126, de 27 de junho de 2005 decreta que "a pessoa com deficiência visual usuária de cão-guia tem o direito de ingressar e permanecer com o animal em todos os locais públicos ou privados de uso coletivo". Ainda assim os portadores de deficiência visual com seus cães enfrentam situações de constrangimento, devido à desinformação de grande parcela da população, que deve se inteirar a respeito do assunto, para não apenas, não cometer o ato de preconceito, como também não atrapalhar o trabalho do cão-guia ao se deparar com ele em algum local.

No momento de trabalho estes cães se encontram altamente concentrados, e qualquer desvio de sua atenção por meio de carícias, brincadeiras ou proximidade com  outro animal, expõe seu usuário a acidentes. Importante saber que estes  são dóceis e bem treinados, não oferecendo qualquer risco às pessoas. São extremamente disciplinados quanto às refeições, portanto não lhes deve ser oferecido qualquer tipo de alimento durante seu trabalho. Seu posicionamento é sempre pela esquerda de seu usuário, portanto em caso de necessidade de aproximação, é recomendável que seja feita sempre pelo lado direito. Um sinal de cidadania bastante visto nas ruas, é o acompanhamento de deficientes visuais pelo braço. Este ato deve ser evitado com a presença do cão-guia, salvo  em casos de combinação prévia, quando seu usuário dará um comando para que permaneça temporariamente fora de atividade.

Os cães-guia são adestrados e acostumados a viagens e permanência em locais públicos, normalmente acomodados aos pés de seus donos sem atrapalhar outras pessoas ou o funcionamento de determinado estabelecimento. A conscientização da população em geral quanto a existência desta atividade e de suas normas é fundamental, já que representa muito para a inclusão social de pessoas que convivem com uma situação desfavorável, mas que não lhes retira o direito de uma vida normal. 








quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Doença Periodontal

A doença periodontal resulta de resposta inflamatória progressiva do indivíduo ao acúmulo de placa bacteriana e cálculo dental (tártaro). Pode ser classificada em gengivite e periodontite leve , moderada e avançada, e esfoliação dentária, sendo esta última considerada a forma mais grave, em que ocorre perda óssea e eventual perda do dente.

Dada a grande variedade em tamanho e função dos dentes, bem como o grau de abrasão da dieta sobre eles e de sua ação na gengiva, a doença periodontal é considerada uma das enfermidades mais comuns da cavidade oral.

Estudos comprovam que grande parte dos animais, acima de três anos de idade já apresenta sinais clínicos de doença periodontal, chegando a números percentuais de acometimento de cerca de 80% dos cães e gatos. 


A presença do cálculo dental é o sinal mais facilmente identificado para se determinar a existência da doença periodontal. Outra característica clínica importante é a halitose (mau hálito). Alterações como edema , cor mais avermelhada e sagramento da gengiva sinalizam sua inflamação (gengivite), e em quadros avançados o animal manifesta sialorréia (excesso de salivação) e odinofagia (dificuldade na deglutição).


Tal condição não predispõe o animal somente a dor , devido ao processo inflamatório local, com eventual perda dos dentes, mas também ao aparecimento de doenças sistêmicas causadas pela absorção de metabólitos bacterianos na corrente circulatória, causando danos aos rins , fígado e coração, já que é sabido que as bactérias associadas à doença periodontal estão relacionadas às afecções nestes órgãos.  O fator social também deve ser levado em conta, uma vez que diversos animais gravemente acometido, tendem a ser afastados do convívio de seus proprietários, sofrendo assim uma espécie de discriminação. 


Alguns fatores predisponentes devem ser levados em consideração, já que a doença periodontal é considerada multifatorial. Entre eles a tendência de algumas raças a apresentarem anomalias dentais como dentes supranumerários ou hipoplasia do esmalte, retenção de decíduos ou má oclusão. A condição imunológica do animal, também possui representatividade , uma vez que idade avançada, doenças sistêmicas ou endócrinas, entre outros fatores podem levar à imunossupressão e predispor à deposição da placa bacteriana. O manejo alimentar inadequado e a falta de cuidados com a higiene bucal, são as principais causas a serem consideradas, já que uma boa orientação quanto a estes fatores pode ser significativa para a prevenção da doença.


Observa-se que o acúmulo de placa ou cálculo estão diretamente relacionados ao tipo de dieta oferecida. Animais alimentados com rações umedecidas, úmidas enlatadas ou dietas caseiras têm uma menor ação abrasiva do alimento com os dentes, favorecendo este acúmulo. Portanto o uso de ração industrializada seca, torna-se um método preventivo espontâneo, pela auto-limpeza através da abrasão promovida por estes alimentos.Ossos artificiais, tanto comestíveis, quanto de brinquedo são bastante efetivos na limpeza dos dentes por promoverem uma raspagem de sua superfície. Também já estão disponíveis no mercado suplementos mastigatórios, contendo compostos enzimáticos com ação inibidora da formação do cálculo dental.


A profilaxia mais efetiva, entretanto consiste na escovação dentária. Esta quando feita diariamente representa o melhor método para manter a cavidade bucal livre de placa e consequentemente da doença periodontal. O condicionamento do animal para esta prática deve ser iniciado nos primeiros meses de vida, tendo em vista que, animais adultos desacostumados à escovação oferecem maior dificuldade. Sessões de 2 a 3 minutos, podendo ser de forma paulatina, a cada 24 horas são recomendadas para diminuir a formação da placa, já que este é o período de sua formação e organização. A aceitação por parte do animal aumenta se a boca não for aberta bruscamente e se os lábios forem suavemente afastados para exposição dos dentes. Tornar a escovação agradável, relacionando-a a algo bom como petiscos , afagos ou passeios facilita sua realização. A escova de dente deve ser macia e a pasta de dente de uso veterinário.Pastas contendo complexo enzimático, como nos suplementos mastigatórios, são preferíveis, e as de uso humano são contra-indicadas pois podem provocar alterações gástricas e até intoxicação.


Avaliações clínicas esporádicas da cavidade oral são de fundamental importância para determinar a ocorrência da doença periodontal e avaliar sua gravidade. Baseado nesta avaliação, o veterinário deverá adotar a conduta adequada, sendo normalmente indicada a intervenção cirúrgica. Esta é realizada somente mediante anestesia geral, e consiste na eliminação de todo o cálculo dental, através de raspagem, aplainamento e polimento das superfícies duras, extrações de dentes comprometidos e acompanhamento por meio de programa preventivo. Caso a doença não seja tratada no seu estágio mais incipiente, torna-se praticamente impossível controlá-la.



Remoção de tártaro em cão



Cavidade oral de um mesmo paciente 
antes e dias após remoção de tártaro





segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Diagnóstico por imagem

 A ciência médica vem avançando substancialmente na tentativa de se obter, de maneira não invasiva, imagens de diversos órgãos e sistemas com vistas a identificar a existência de alterações sugestivas de disfunção e, quando possível diagnosticar uma eventual doença. Estes métodos são agrupados sob a denominação de diagnóstico por imagem. Sua escolha como método de diagnóstico depende da suspeita clínica, da facilidade de execução do exame e da disponibilidade do equipamento, sendo também necessário conhecer a sensibilidade, a especificidade e a eficácia do método para cada patologia. Na rotina das clínicas veterinárias já se tornou comum o uso da Radiografia e da Ultra-sonografia. Exames como a EcoDopplercardiografia e a Endoscopia já tem sido utilizados com mais frequência, e em uma menor escala de uso , porém já disponíveis em alguns centros de diagnóstico por imagem, a Tomografia Computadorizada e a Ressonância Magnética.

  • Radiografia
 A radiologia veterinária representa uma especialidade de grande importância no auxílio diagnóstico de diversas patologias, tornando-se indispensável pela simplicidade de sua realização, rapidez de seu resultado, além de sua eficácia como método complementar de exame. 
 Amplamente utilizada nas clínicas veterinárias, ainda é o exame de imagem de 1ª escolha para o diagnóstico dos distúrbios do sistema locomotor. Através dele o radiologista obtém uma imagem que poderá, com grande acurácia, apontar determinado tipo de lesão, auxiliando assim no diagnóstico de fraturas, e  de algumas osteo e artropatias (Fig 1). 
 Embora outros métodos de diagnóstico sejam indicados, ainda se pode utilizar o Raio X para detecção de moléstias do sistema digestivo, como a presença de corpos estranhos , e do sistema urinário, como cálculos na bexiga e rim,  sendo em ambos os casos recomendado a avaliação simples da imagem , ou com o paciente sob uso de contrastes (radiografia contrastada). Pode, também, auxiliar o diagnóstico de gestação (Fig 2) e suas complicações,  entre outras alterações da cavidade abdominal.
 É um excelente complemento para a avaliação das doenças cardíacas e principalmente respiratórias, já que produz imagem detalhada das estruturas existentes dentro da cavidade torácica. 
 Tem aplicabilidade, ainda considerável na detecção de patologias da coluna vertebral, sendo realizada eventualmente como método de avaliação das lesões de origem compressiva (herniação do disco intervertebral) , através de sua interpretação mediante infusão de contraste no canal medular, sendo esta técnica denominada Mielografia.


Fig 1 : Raio X anteroposterior de bacia de cão

Fig 2 : Raio X em cadela com aproximadamente 60 dias de gestação

  • Ultra-sonografia
 Inicialmente desenvolvido no campo da medicina humana na década de 70, o exame ultra-sonográfico passou a fazer parte dos meios diagnósticos em medicina veterinária a partir dos anos 80 e nos dias atuais é utilizado em larga escala
 É um exame complementar não invasivo ,  baseado na captação dos ecos teciduais originados pela emissão de feixes ultra-sônicos, não oferecendo, dessa forma qualquer risco ao paciente ou a qualquer outro indivíduo envolvido com o exame. Embora o posicionamento em decúbito dorsal (abdômen para cima) seja um tanto quanto desconfortável, geralmente não existe a necessidade do uso de sedativos ou anestésicos já que é realizado, normalmente sem provocar sensações dolorosas ao animal.
 Possui indicação para o diagnóstico de diversas patologias existente na cavidade abdominal, com destaque para as doenças do trato genito-urinário (Fig 3), como infecções, formações de cálculos e tumores. 
 O exame ultra-sonográfico pré-natal em gestantes tem grande representatividade dentro da especialidade, permitindo  planejamento adequado da gestação propiciando estimativa da data do parto e determinando a viabilidade dos fetos (Fig 4).
 Se presta, também para avaliação de outros órgãos como baço , fígado , próstata , pâncreas, gânglios abdominais e as diversas patologias que os envolvem. Órgãos como estômago e intestino, podem também ser visualizados ao ultrassom, embora a presença de ar no interior dos mesmos, dificulte sua avaliação.
 Apesar de outros métodos de diagnóstico por imagem serem considerados superiores em algumas áreas específicas da ortopedia, o mérito da ultra-sonografia já está estabelecido, podendo ser utilizada no diagnóstico de patologias do sistema músculo esquelético.


Fig 3 : Imagem ultra-sonográfica da bexiga de cão

Fig 4 : Ultra-som em cadela com aproximadamente 35 dias de gestação


  • EcoDopplercardiografia
 Técnica de utilização do ultra-som como meio diagnóstico em cardiologia que oferece uma avaliação anátomo-funcional do coração com grande sensibilidade e especificidade, aliada ao seu caráter inócuo  e não invasivo. Por isso vem sendo utilizada na medicina veterinária nos últimos anos, representando um importante exame na propedêutica cardiológica, garantindo a obtenção de dados de grande parte das afecções cardíacas de forma rápida e precisa.
 O EcoDopplercardiograma deve ser considerado como componente de uma avaliação cardiovascular completa e que não exclui outros exames , como o clínico, o radiológico e o eletrocardiográfico,porém, permite por meio da visualização direta das câmaras cardíacas(Fig 5), relação espacial entre as estruturas, avaliação dos movimentos cardíacos e características do fluxo sanguíneo. Sendo assim, auxilia o diagnóstico de várias patologias, como cardiomiopatias , alterações na contração do músculo cardíaco e presença de  tumores intracardíacos. É importante, também, no  acompanhamento da terapia instituída e no prognóstico da patologia.

                                                                                                                                                                                                             
Fig 5(Vídeo): Exame EcoDopplercardigráfico em cão




  • Endoscopia
 A endoscopia é um exame que consiste na obtenção de imagens através de um tubo provido de uma fonte luz em sua extremidade (Fig 6), tratando-se de uma técnica especialmente útil na exploração, diagnóstico e tratamentos dos distúrbios do trato gastro-intestinal e das vias respiratórias.
 Sua realização é feita com o paciente sob efeito de anestesia geral, embora seja um exame rápido, seguro e indolor , e permite uma abordagem pouco invasiva dos órgãos a serem avaliados.
 Suas indicações são baseadas em sinais clínicos como vômito, diarréia, perda de peso, anorexia , regurgitação e salivação excessiva. Isto irá sugerir a realização de uma endoscopia digestiva alta ( esôfago-gastro-duodenoscopia ), com o objetivo de detectar e remover corpos estranhos (Fig 7), e diagnosticar patologias esofágicas, gástricas e duodenais , como esofagite , megaesôfago , persistência de arco aórtico , hérnias , úlceras , gastrites , duodenites e neoplasias, entre outras. 
 Nos casos de diarréia crônica não esclarecida por outros exames,  presença de sangue nas fezes (hematoquezia) ou dor durante a defecação (disquezia), torna-se recomendável a endoscopia digestiva alta (colonoscopia), que pode diagnosticar enterites e colites inflamatórias, estenoses e pólipos.
 O endoscópio também permite a visualização das vias aéreas sendo indicado como exame complementar ao diagnóstico de patologias dos seios nasais , traquéia e brônquio (rino-traqueo-broncoscopia) , como neoplasias , rinite, traqueíte, bronquite, infecção parasitária e obstrução. É o único exame que permite acesso atraumático dos brônquios, sendo possível a identificação e extração de corpos estranhos sem necessidade de cirurgia torácica.



Fig 6: Aparelho de Endoscopia
    
Fig 7 : Imagem endoscópica de corpo estranho gástrico





  • Tomografia Computadorizada
 Pode-se dizer que o advento do exame por tomografia computadorizada é um divisor de águas para o diagnóstico por imagem na medicina, pois proporcionou a detecção de lesões do sistema nervoso central com grande acurácia, além de superar a ultra-sonografia, em eficácia , na avaliação de lesões teciduais difusas.
 O exame é realizado com o paciente anestesiado, sendo movido horizontalmente para o interior do aparelho aonde se localizam as fontes de Raio X (Fig 8). Estas se movimentam ao seu redor, obtendo assim, projeções multiangulares da mesma região anatômica , formando uma imagem "fatiada" de determinada região do corpo.Com o auxílio de um computador , a imagem é reconstruída na forma de uma malha de pontos do tecido.Pode-se lançar mão da administração de contrastes intra-venosos, no intuito de proporcionar melhor avaliação de determinada região.
 A Tomografia Computadorizada tem sido usada para obtenção de imagens de alta resolução de tecidos moles (Fig 9) e ossos, proporcionando informações qualitativas desses órgãos , como alterações de seu posicionamento , tamanho e forma. Se aplica ao diagnóstico de hemorragias e massas intracranianas , patologias da medula espinhal , neoplasias em órgãos da cavidade torácica, como tumores de mediastino, e abdominal , como tumores de glândula adrenal, processos inflamatórios, entre outras doenças.




Fig 8: Exame sendo realizado em paciente da raça Pinscher 



Fig 9: Imagens tomográficas de fígado de cão demonstrando 3 regiões :Lobo lateral direito(1) , lobo lateral esquerdo(2) e Lobo quadrado nas posições dorsal(D) , ventral(V) , esquerdo(L) e direito(R)
   




  • Ressonância Magnética
 Em medicina veterinária o uso da Imagem por Ressonância Magnética (IRM) continua limitado devido ao elevado custo dos aparelhos e das instalações. Ainda assim, alguns veterinários têm ultrapassado parte destas dificuldades, através de contratos com centros de IRM de medicina humana.
 É uma técnica não invasiva, de diagnóstico por imagem que se baseia na interação entre os núcleos de certos elementos, que possuem capacidade de rotação, e o campo magnético exterior.Os animais são submetidos a anestesia geral, e em seguida posicionados de forma que uma antena do aparelho , denominada Antena de Radiofrequência esteja moldada estritamente à zona do organismo que vai ser estudada. Esta antena irá emitir uma radiofrequência que será absorvida pelos tecidos, que por sua vez emitirão ondas a serem detectadas pela antena e transformadas em imagens que podem ser facilmente digitalizadas , amplificadas e finalmente visualizadas em um monitor de computador (Figs 10 e 11).
 As principais vantagens da IRM sobre alguns dos outros métodos de diagnóstico por imagem, são a não utilização de radiações ionizantes e o diagnóstico mais precoce de alterações dos tecidos. Possui indicação para o diagnóstico de lesões de coluna em seu estágio inicial, além de auxiliar na detecção das causas de distúrbios convulsivos, lesões articulares, tendíneas e ligamentares. Determina a localização de neoplasias e hemorragias.

Fig 10: Animal durante exame de Ressonância Magnética


Fig.11: IRM  da cabeça de cão, em corte sagital mediano,
mostrando as estruturas identificadas: 1. Cavidade nasal,
2. Lâmina perpendicular do osso etmóide, 3. Bulbo olfatório,
4. Seio frontal, 5. Cérebro, 6. Osso frontal, 7. Sulco
cruzado, 8. Corpo caloso, 9. Terceiro ventrículo, 10. Osso
parietal, 11. Tentório ósseo do cerebelo, 12. Osso occipital,
13. Gordura subcutânea, 14. Medula espinhal, 15. Traqueia,
16. Laringe, 17. Epiglote, 18. Osso basiióide, 19.
Cerebelo, 20. Quarto ventrículo, 21. Medula oblongata, 22.
Ponte, 23. Hipófise, 24. Ossos esfenóides, 25. Palato mole,
26. Palato duro, 27. Língua.



segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Geriatria Veterinária

    O envelhecimento é a diminuição progressiva da capacidade do corpo em atender às demandas exigidas pelo ambiente, e baseado em dados atuais , pode ser consequência do acúmulo de resíduos metabólicos no organismo, entre eles os radicais livres, responsáveis pela oxidação e destruição das membranas celulares.Entretanto outras teorias sustentam que tal processo é controlado geneticamente ou o consideram como uma gradual depressão dos sistemas fisiológicos.De fato, todas essas hipóteses devem ser consideradas, o que nos leva a concluir que se deve a diversos fatores, entre eles os cuidados dispensados durante toda a vida do animal.

    Os avanços da Medicina Veterinária e a conscientização dos proprietários de animais de estimação têm elevado sua expectativa de vida , e o que se observa, é o aumento da média de idade de cães e gatos, sendo que os primeiros possuem variações baseadas em seu porte.Através de estudos bioquímicos em animais comparados ao de seres humanos, pôde-se correlacionar suas idades, derrubando o antigo "mito" da relação 1:7 entre homens e cães principalmente(Tabela 1). Felinos e cães de raças pequenas são considerados idosos aos 7 anos, ao passo que cães de raças grandes o são aos 5 anos.Esta avaliação é empírica sob o ponto de vista clínico, embora estudos laboratoriais confirmem tal teoria, mas o que realmente interessa ao paciente idoso é a prevenção dos distúrbios gerados em função de seu envelhecimento, facilitando assim seu tratamento, uma vez que necessariamente os mesmos irão aparecer em algum momento da vida.

    Ao se tornarem idosos, cães e gatos passam a ser susceptíveis a inúmeras alterações de seu organismo, devido aos eventos anteriormente citados.Sendo assim aumenta a ocorrência de patologias endócrinas e metabólicas (hipotireoidismo, diabetes, obesidade , hiperadrenocorticismo) , genito-urinárias (insuficiência renal , infecções uterinas e alterações prostáticas) , cardiorespiratórias ( insuficiência cardíaca e bronquites crônicas) , neoplasias ( tumores de mama em fêmeas são extremamente comuns) , enfermidades musculoesqueléticas (osteoartrites, espondilose e hérnia de disco) , oftálmicas (catarata e ceratoconjuntivite seca) ,  patologias do sistema digestivo ( doença periodontal , atrofia da mucosa gástrica e diminuição das funções hepática e pancreática), dermatopatias (dermatites seborréica e atópica ) e diminuição da atividade imunológica, predispondo os pacientes idosos a infecções e doenças autoimunes.

   O sistema nervoso também sofre comprometimento, uma vez que ocorre a chamada disfunção cognitiva.Com o envelhecimento, cães e gatos , assim como seres humanos, começam a ter dificuldade em reconhecer pessoas e lugares, esquecem comportamentos aprendidos , tornam-se desatentos e apresentam problemas com o ciclo vigília-sono.Perdem a audição, passam a fazer suas necessidades em locais impróprios e diminuem a interação com pessoas e outros animais.A perda da função cognitiva varia de animal para animal , tem prevalência acima de 60% em cães com mais de 11 anos de idade e pode ser comparada aos maus de Alzheimer e Parkinson em seres humanos.


     Como quase tudo na medicina , a prevenção é o melhor remédio.Sendo assim cuidados com o bem-estar do animal durante sua vida adulta são indispensáveis para a obtenção de um envelhecimento saudável.Uso de rações industrializadas, de preferência as de boa qualidade, além do manejo correto de sua administração proporcionam adequado balanceamento da dieta.Visitas periódicas ao Médico Veterinário para as chamadas consultas de rotina auxiliam muito a manutenção da saúde de cães e gatos, já que o contato frequente com este profissional  irá possibilitar a detecção precoce de doenças , além da orientação quanto a tratamentos e uso de vacinas, entre outros cuidados.Ao chegar à fase senil, torna-se mais importante ainda este acompanhamento. Avaliações clínicas, imunizações, exames laboratoriais , uso de rações que atendam aos requisitos energéticos dos idosos e de medicações, que sob prescrição, previnam ou tratem as patologias comuns nesta fase da vida , propiciam longevidade e acima de tudo dão qualidade à vida daquele que durante  muito tempo acompanhou , trabalhou ou se reproduziu em prol das necessidades de seres humanos.




Idade do animal
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15

Peso: 0 a 20 Kg
 7
 13
20 
26 
33 
40 
44 
48 
52 
56 
60 
64 
68 
72 
76 

Idade 

equivalente 

em 

humanos
Peso: 20 a 50 Kg
 7
 14
 21
 27
 34
 44
 47
 51
 56
 60
 65
69 
74 
78 
83 
Peso: 50 a 90 Kg
 8
 16
 24
 31
 38
 45
 50
 55
 61
 66
 72
 77
 82
 88
 93
Peso: + de 90 Kg
 9
 18
 26
 34
 41
 49
 56
 64
 71
 78
 86
 93
101
108
115

Tab 1: Idade do animal comparada à Idade Humana sob parâmetros bioquímicos e baseada em seu peso / Fonte: Laboratório Labyes


Fig 1 (Foto ) : Cadela Golden Retriever com 12 anos de idade



                                         
Fig 2 (Vídeo) : Cão mestiço de pequeno porte com 11 anos de idade